
O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos utilizou um documento legal para obter informações sobre jornalistas, uma ação que reacendeu o debate a respeito da atuação do Estado em relação à imprensa. Para o professor e jornalista Carlos Eduardo Lins da Silva, essa é uma atitude típica do presidente Donald Trump, que tem inclusive recorrido ao recurso de “ressuscitar” leis antigas e em desuso para justificar a busca de informações sobre pessoas ou entidades sem nem mesmo que estas sejam informadas quanto a essa investigação conduzida pelo governo, que se vale para tanto de dados colhidos pelo Google sobre esta ou aquela pessoa que teve o azar de cair em desgraça com Trump.
Lins da Silva cita o caso da NBC, que, em um de seus jornais, divulgou reportagem de uma jornalista a respeito de fatos incontestáveis envolvendo o endosso de pré-candidatos a cargos legislativos nas eleições primárias do Partido Republicano. O presidente não gostou e ameaçou, por intermédio da agência reguladora de comunicações dos EUA, FCC (Federal Communications Commission), pedir a punição da profissional. “A FCC, como outras agências reguladoras, viraram aparelhos do presidente Trump, qualquer coisa que ele peça é feito […] como também as emissoras de televisão têm necessidade de avais do governo, e principalmente da FCC, inclusive para se manter no ar, ficam com medo e muitas delas acabam cedendo aos desejos do presidente Trump. O fato é que as coisas nos Estados Unidos, em termos de liberdade de expressão, vão de mal a pior com esse presidente”.
Horizontes do Jornalismo
Com o Prof. Carlos Eduardo Lins da Silva
A coluna Horizontes do Jornalismo, com o professor Carlos Eduardo Lins da Silva, vai ao ar quinzenalmente, segunda-feira às 8h30, na Rádio USP (São Paulo 93,7; Ribeirão Preto 107,9), com produção da Rádio USP, Jornal da USP e TV USP.





