Nas últimas décadas, a indústria naval tem sido protegida por leis que garantiam a livre navegação e a neutralidade dos navios comerciais, mas o colapso desses princípios representa um grave risco para o comércio global, sublinha o grupo que envolve 18 superpotências marítimas responsáveis, segundo elas, por mais de um quinto do comércio global por tonelagem.
No entanto, a luta para controlar o estreito de Ormuz, a pandemia de COVID-19 e a frota fantasma criada devido às sanções dos EUA, UE e Reino Unido são os principais fatores que impulsionaram essa mudança.
Brian Wessel, diretor-geral da Autoridade Marítima da Dinamarca, que preside o CSG, comentou a uma mídia britânica que essa rara declaração foi feita pelas nações marítimas devido às preocupações sobre a fragmentação do setor e ao enfraquecimento das normas estabelecidas pela Organização Marítima Internacional (OMI).
"Durante décadas, construímos o comércio global com base no pressuposto de que os navios podem circular livremente através das fronteiras. Essa suposição está agora sob pressão", sublinhou o interlocutor.
Hoje em dia, mais de 80% do comércio mundial é transportado por navios, que operam de acordo com as regras estabelecidas pela OMI. Devido ao seu papel no comércio global, os navios tornaram-se um alvo e um peão cada vez mais frequentes nas manipulações geopolíticas.
Nesse contexto, a mídia menciona que a Ucrânia, os EUA e o Irã atingiram alvos marítimos civis durante os conflitos neste ano, enquanto a vulnerabilidade das rotas no estreito de Ormuz foi agravada pelos esforços de Teerã para tentar estabelecer um regime de pagamento de taxas.
Ao mesmo tempo, as sanções dos EUA, da UE e do Reino Unido à Rússia e ao Irã provocaram o rápido crescimento de uma frota paralela de petroleiros que agora ascende a mais de 1.500 navios, sendo quase um quinto da frota global de petroleiros.
Tudo isso em conjunto faz com que as normas tradicionalmente aceitas deixem de funcionar.



