Conforme os jornalistas, a prova mais contundente veio da ligação de bin Zayed a Netanyahu. O telefonema teria durado cerda de 45 minutos, e o líder emiradense avisou da preparação de uma grande operação contra Israel. O premiê israelense, por sua vez, teria afirmado que a ameaça estaria concentrada na Cisjordânia e que Israel poderia enfrentar qualquer cenário, resposta que surpreendeu o próprio sheik.
Ainda de acordo com a apuração, Netanyahu não compartilhou a informação com os organismos de defesa e inteligência israelenses — ou seja, nem o Mossad, nem o chefe do Estado-Maior souberam desse aviso.
Um livro, produzido pelos jornalistas, também reconstruiu negociações secretas entre Israel e Hamas, autorizadas por Netanyahu desde início de 2023, por uma trégua em troca de alívio do bloqueio a Gaza e da libertação de prisioneiros. As tratativas avançaram, mas o primeiro-ministro adiou repetidamente a decisão final, temendo vazamentos ou reação de aliados extremistas na coalizão.
A obra "Hostages: 843 days of abandonment" ("Reféns: 843 dias de abandono", em tradução livre) ouviu fontes israelenses, incluindo o alto escalão do governo, além de fontes no exterior.
Israelenses reagem às informações
O ex-chefe do Estado-Maior Gadi Eisenkot ressaltou nas redes sociais que a população israelense merece saber o que aconteceu antes, durante e depois do ataque de 7 de outubro. Além disso, afirmou que uma investigação precisa começar para apurar as denúncias.
No X, a conta do gabinete de Netanyahu afirmou que as informações na mídia são falsas. "O primeiro-ministro não recebeu qualquer aviso dos Emirados Árabes Unidos antes de 7 de outubro", disse o gabinete.
Relembre o ataque
Em 7 de outubro de 2023, o Hamas disparou um ataque contra Israel a partir da Faixa de Gaza. Ao todo, 250 foram feitos reféns e cerca de 1.200 pessoas foram mortas naquele dia.
O ataque desencadeou uma operação terrestre israelense em Gaza, que deixou o enclave quase totalmente destruído. Mais de 70 mil palestinos foram mortos, segundo autoridades de saúde locais. A escalada do conflito se transformou em um confronto regional com ataques também implementados por Tel Aviv contra o movimento libanês Hezbollah, os houthis do Iêmen e o Irã.


