Novo Complexo de Saúde do GHC em Porto Alegre avança para etapa de estruturação

09/09/2026 às 18:280 visualizações
Representantes do GHC, Ministério da Saúde, BNDES e Casa Civil participam de reunião sobre a estruturação do Novo Complexo de Saúde Inteligente
Representantes do GHC, Ministério da Saúde, BNDES e Casa Civil participam de reunião sobre a estruturação do Novo Complexo de Saúde Inteligente
Brasil de Fato

Nesta terça-feira (8), o projeto do Novo Complexo de Saúde Inteligente do Grupo Hospitalar Conceição (GHC) progrediu para uma nova fase, com o início das atividades de estruturação realizadas em colaboração com o Ministério da Saúde, Casa Civil da Presidência da República e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Com um investimento estimado de R$ 1,9 bilhão, a ação visa integrar, modernizar e expandir os serviços dos hospitais Fêmina (HF), Criança Conceição (HCC) e Cristo Redentor (HCR) em uma nova instalação vinculada ao Hospital Nossa Senhora da Conceição (HNSC). 

O evento contou com a presença do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, representantes do BNDES, membros da diretoria do GHC, secretário municipal de Saúde de Porto Alegre, Fernando Ritter, e equipes técnicas participantes. Do valor estimado, cerca de R$ 1,5 bilhão será alocado para a construção e implementação do Complexo, enquanto o montante restante será destinado à compra de equipamentos. 

Segundo Gilberto Barichello, diretor-presidente do GHC, a construção do Novo Complexo tem como objetivo adaptar o SUS às transformações que já afetam a assistência à saúde. De acordo com ele, mudanças econômicas, climáticas, demográficas e sociais – como o aumento da expectativa de vida e o envelhecimento da população no Rio Grande do Sul – demandam novas soluções do sistema público. “O SUS precisa estar pronto para lidar com essa realidade, e isso requer a habilidade de inovar, ser disruptivo e repensar estruturas e métodos de cuidado”, declarou.

Novo Complexo deverá expandir a capacidade de atendimento

Com aproximadamente 750 leitos, o Novo Complexo deverá expandir a capacidade de atendimento do GHC, além de unir diversas unidades hospitalares. A previsão é de que sejam adicionados mais de 100 novos leitos operacionais e mais de 100 leitos auxiliares em comparação com a estrutura atual, expandindo a capacidade da instituição para atender pacientes com diferentes níveis de complexidade e aumentando o acesso aos serviços especializados.

O planejamento inclui 43 salas de cirurgia, com espaços adequados para procedimentos robóticos, 70 leitos de UTI para adultos e 70 leitos de UTI para pacientes pediátricos e neonatais, além de serviços de diagnóstico, atendimento ambulatorial e reabilitação. Também estão incluídos bancos de leite humano, locais para reprodução assistida, emergências integradas em rede e heliponto para casos críticos. 

Segundo Barichello, o Novo Complexo foi planejado para acompanhar os avanços tecnológicos e as mudanças nas necessidades da população ao longo dos próximos anos. A estrutura deverá permitir a incorporação de novas tecnologias, a ampliação da capacidade de atendimento e a qualificação dos serviços oferecidos pelo GHC. “Queremos construir uma referência para o SUS nas próximas décadas, reunindo inovação, inteligência, eficiência e, acima de tudo, uma assistência pública de excelência”, destacou. 

Além disso, o empreendimento deverá possibilitar a ampliação de procedimentos de alta complexidade, como cirurgias fetais, transplantes e outros serviços especializados. O modelo também prevê o uso de dados em tempo real, inteligência artificial e medicina personalizada. 

Padilha enfatizou o aporte em tecnologia planejado para o Novo Complexo e a capacidade da instalação de se transformar em um modelo de referência para o atendimento público. De acordo com ele, o projeto do GHC já atraiu interesse internacional e poderá integrar a experiência da instituição com equipamentos de alta performance. “O que está sendo desenvolvido aqui não servirá apenas como modelo para o SUS no Brasil. Isso já está sendo muito bem recebido no cenário internacional”, afirmou.

O secretário municipal de Saúde de Porto Alegre, Fernando Ritter, disse que a modernização da infraestrutura deve ser acompanhada por uma melhor conectividade em toda a rede. “Saúde não tem preço, mas tem custo, e precisamos inovar, com hospitais inteligentes, prontuários digitais e ações que vão ao encontro das necessidades atuais do sistema de saúde. “Modelos como esse asseguram uma rede integrada, desde a entrada do paciente na ambulância até sua chegada ao leito de UTI”, declarou. 

Estruturação do projeto 

A estruturação do Novo Complexo começou nesta terça-feira, após dois anos de trabalho interno do GHC para definir as bases e diretrizes do projeto. O processo envolveu as diferentes diretorias e gerências da instituição.

“Foram dois anos estabelecendo prazos, fundamentos e discutindo um conjunto amplo de áreas, com a participação de todas as gerências e diretorias”, explicou o gerente de Projetos do GHC, Jorge Branco.

Nesta nova fase, o BNDES será responsável pela estruturação do empreendimento, com apoio de um consórcio de consultorias especializadas. Entre as atividades previstas estão estudos de engenharia e infraestrutura, planejamento assistencial e operacional e análises econômico-financeiras e jurídicas para viabilizar a execução do projeto.

Antes da reunião com as autoridades, representantes da Gerência de Projetos do GHC, do BNDES, do Ministério da Saúde, da Casa Civil e do Consórcio Pomar participaram de uma oficina técnica. O encontro apresentou o plano de trabalho, as etapas da estruturação e a organização das equipes envolvidas no desenvolvimento do projeto.

O superintendente do BNDES, Ian Guerriero, destacou a atuação do banco na estruturação do empreendimento e na transformação das diretrizes definidas pelo GHC em um projeto viável. “Temos a experiência necessária para apoiar e desenvolver iniciativas complexas e disruptivas. Nossa missão agora é alinhar esses objetivos e levar adiante a visão que o GHC tem de um hospital do futuro, fazendo com que ela se torne realidade”, ressaltou.

Parceria Público-Privada com assistência 100% SUS 

A implementação do Novo Complexo está sendo organizada por meio de uma Parceria Público-Privada (PPP), utilizando a modalidade de concessão administrativa. O modelo prevê a participação do setor privado em fases ligadas à infraestrutura, mantendo a responsabilidade pública na prestação de assistência à saúde. 

“A concessão administrativa será para construção, equipagem, manutenção e operação de serviços não assistenciais. A assistência seguirá 100% pública”, reforçou Branco. 

Segundo Padilha, o modelo possibilita a combinação de novas maneiras de viabilizar o empreendimento com a manutenção do caráter público do GHC. “Trata-se de um complexo hospitalar que receberá um significativo investimento e contará com o que há de mais moderno em saúde, sem abrir mão da gestão pública, visto que o GHC é 100% SUS, porém utilizando mecanismos que assegurem maior agilidade na construção e manutenção”, declarou. 

Integração com o HNSC 

O projeto não só integra os serviços dos hospitais Fêmina, Criança Conceição e Cristo Redentor, bem como do Centro Obstétrico do HNSC, como também prevê uma ligação física com o hospital Conceição. Passarelas exclusivas para funcionários e pacientes devem melhorar a circulação entre os prédios e os vários pontos de atendimento, ajudando a organizar os fluxos internos e a coordenação entre as equipes de assistência. 

A proposta é aproximar áreas que hoje se encontram espalhadas entre as unidades, qualificando os fluxos entre especialidades, serviços de diagnóstico, centros cirúrgicos, unidades de terapia intensiva e demais setores da assistência. 

Fonte
Brasil de Fato
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