O fascismo nos EUA só pode ser detido pelo povo estadunidense, diz cônsul de Cuba

Por Rodrigo Chagas09/09/2026 às 18:010 visualizações
US President Donald Trump speaks in the Oval Office of the White House in Washington, DC, on July 29, 2026. US President Donald Trump unveiled a $20 billion plan to rebuild and renovate Washington Dulles International Airport. (Photo by Ken Cedeno / AFP)
US President Donald Trump speaks in the Oval Office of the White House in Washington, DC, on July 29, 2026. US President Donald Trump unveiled a $20 billion plan to rebuild and renovate Washington Dulles International Airport. (Photo by Ken Cedeno / AFP)
Brasil de Fato

“O fascismo nos Estados Unidos só pode ser detido pelo povo americano.” A avaliação é do cônsul-geral de Cuba em São Paulo, Benigno Pérez, que classificou o atual governo de Donald Trump como o momento “mais perigoso para Cuba e para o mundo” desde o triunfo da Revolução Cubana, em 1959.

Em entrevista promovida pelo Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, com a participação de veículos da mídia independente, entre eles o Brasil de Fato, Pérez afirmou que o governo estadunidense retomou uma política expansionista e relacionou a ofensiva contra Cuba a esse cenário.

“Há um fascismo nos Estados Unidos. Eu não tenho dúvida, há um fascismo, um governo fascista nos Estados Unidos”, afirmou. Para o diplomata, diferentemente de outros momentos históricos, uma reação externa não seria capaz de conter esse processo. “O fascismo nos Estados Unidos tem que ser detido pelo povo americano. Essa tarefa cabe ao povo americano”, completou.

Pérez citou como sinal de resistência interna as manifestações “No Kings” e disse acreditar em uma derrota de Trump nas eleições de meio de mandato, em novembro. Para ele, o enfrentamento à extrema direita exige uma frente política ampla.

“Na luta contra o fascismo, temos que ter amplitude. Não apenas a esquerda. As pessoas decentes, ainda que sejam de direita e estejam dispostas a lutar contra o fascismo, temos que trazê-las para essa batalha”, argumentou.

O cônsul também classificou como real a possibilidade de uma agressão militar contra Cuba, embora tenha ressaltado que o governo cubano busca evitar um conflito e está disposto a conversar. Segundo Pérez, soberania e independência, no entanto, não estão em negociação.

Cuba espera apoio contra bloqueio na ONU

O bloqueio exercido pelos Estados Unidos sobre Cuba chegará novamente à Assembleia Geral das Nações Unidas. Segundo Pérez, nos dias 27 e 28 de outubro será debatida a resolução apresentada anualmente contra o bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos à ilha. A votação está prevista, de acordo com o cônsul, para o dia 28.

“Como sempre, nós aspiramos a ter um apoio esmagador da comunidade internacional nessa resolução”, declarou.

Pérez acusou o governo estadunidense de pressionar outros países para modificar o resultado da votação. “O governo dos Estados Unidos, há dois meses, está pressionando os governos de todo o planeta para que não votem contra eles nas Nações Unidas”, afirmou.

Apesar da expectativa de apoio na Assembleia Geral, o diplomata disse que Cuba esperava uma reação mais contundente dos governos diante do endurecimento das medidas adotadas pelos EUA. Pérez acusa os Estados Unidos de tentar aprofundar as dificuldades econômicas da ilha até produzir uma crise humanitária que possa servir como justificativa para uma intervenção.

Apagões chegam a 22 horas

A falta de petróleo é hoje uma das expressões mais visíveis do bloqueio sobre a população cubana. Pérez afirmou que Cuba atravessa apagões que chegam a 20 ou 22 horas em algumas localidades e relacionou a situação às restrições impostas pelo governo Trump à venda de combustível para a ilha.

Segundo o cônsul, Cuba necessita de aproximadamente 3.200 a 3.300 MW de eletricidade. A produção a partir do petróleo extraído no próprio país garantiria entre 1.000 e 1.200 MW.

“Como não temos petróleo, porque ninguém nos vende petróleo por medo dos Estados Unidos, os apagões são de 20 horas, 22 horas e, em alguns lugares, ainda mais. Isso afeta toda a economia cubana, a economia e a vida dos cubanos”, afirmou.

Uma das apostas do governo cubano para reduzir a dependência das importações é a energia solar. Pérez disse que cerca de 600 MW de capacidade foram instalados entre 2025 e 2026, com participação chinesa no fornecimento de equipamentos.

“Cuba não pode continuar importando petróleo se temos a energia do sol, mas precisamos de tempo”, disse. Segundo ele, a mudança da matriz energética está em andamento, mas ainda não é suficiente para suprir a demanda do país.

Fonte
Brasil de Fato
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