Na Colômbia, Marco Rubio promete eleições ‘o mais rápido possível’ na Venezuela, sob condições

Por Leonardo Fernandes09/09/2026 às 17:360 visualizações
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, e o presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella.
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, e o presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella.
Brasil de Fato

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, reuniu-se na terça-feira (8) com o presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella, na cidade colombiana de Barranquilla, para discutir o fortalecimento da cooperação bilateral e militar na região.

Em declarações à imprensa, o secretário de Estado prometeu a realização de eleições na Venezuela “em breve”. No entanto, na mesma linha de seu chefe, o presidente estadunidense, Donald Trump, ponderou que, antes, será preciso “garantir as condições necessárias”.

“Isso precisa acontecer o mais rápido possível, na minha perspectiva, mas deve ser feito de maneira adequada. Caso contrário, haverá mais caos.”

Rubio afirmou que o governo dos Estados Unidos conta com a colaboração da Assembleia Nacional venezuelana, eleita em 2015, cujo mandato expirou, nas negociações com o governo de Delcy Rodríguez. O secretário de Estado se refere aos diálogos estabelecidos entre setores do chavismo e da oposição, iniciados em agosto.

“Temos negociações em curso. Na verdade, trata-se de um processo de reconciliação e transição entre a Assembleia Nacional de 2015, a última Assembleia que reconhecemos como eleita democraticamente, e as autoridades interinas do país”, afirmou o secretário, condicionando ainda a realização de eleições no país sul-americano à “reconstrução das instituições”.

“É preciso uma Suprema Corte, um Conselho Eleitoral Nacional, infraestrutura de votação, partidos políticos e uma imprensa livre e aberta, para que os candidatos possam concorrer a cargos e se expressar”, disse o funcionário de Trump.

Rubio afirmou ainda que em breve visitará a Venezuela, país agredido militarmente pelo governo de Donald Trump no dia 3 de janeiro deste ano

“Chegaremos lá [à Venezuela] mais cedo ou mais tarde, como eu disse, mas não dá para ir a todos os lugares. É uma semana condensada, obviamente, com o Dia do Trabalho e, depois, o 11 de setembro, quando marcaremos o 25º aniversário. Portanto, simplesmente não podíamos incluir outro destino, e são países que eu precisava visitar e onde ainda não tinha estado”, declarou.

Relações entre Colômbia e Venezuela

Por sua vez, o presidente colombiano disse que irá cooperar com o governo estadunidense para “garantir a estabilidade regional”.

“Abordamos a situação da Venezuela, tema não distante para a Colômbia, pois compartilhamos mais de 2 mil quilômetros de fronteira ativa, com consequências diretas em segurança, migração, narcotráfico, contrabando, organizações armadas e energia. A Colômbia participará de forma responsável nos esforços para garantir a estabilidade regional e aprofundar a cooperação fronteiriça, migratória e de segurança”, afirmou Espriella. 

“É claro que tudo o que acontece na Venezuela tem consequências diretas na Colômbia em termos de segurança, migração, tráfico de drogas, contrabando, organizações armadas e também energia”, agregou. 

A Colômbia foi a primeira parada de Marco Rubio, que também visita o Equador e o Peru, ambos os países governados pela extrema-direita, e cujas eleições foram marcadas por suspeitas de interferência dos Estados Unidos. 

A conversa ocorre em um momento de intensa ingerência de Washington sobre a Venezuela, mantida sob tutela dos Estados Unidos desde janeiro, quando o presidente Nicolás Maduro e Cilia Flores foram sequestrados e levados para uma prisão em Nova York, onde aguardam julgamento marcado para junho de 2027. 

Eleições e combate às guerrilhas

Após as declarações conjuntas, o secretário de Estado Marco Rubio ofereceu uma entrevista à imprensa local, na qual alegou que a presença do Exército de Libertação Nacional e de grupos criminosos na fronteira com a Venezuela representa uma ameaça direta à Colômbia. O secretário estadunidense afirmou que Washington pretende atuar por meio de mecanismos de cooperação e informou ter abordado a questão de segurança fronteiriça com autoridades interinas venezuelanas, entre elas a presidenta encarregada, Delcy Rodríguez.

“Temos o ELN e os dissidentes das FARC operando aberta e impunemente a partir do território venezuelano. Isso vem acontecendo há mais de 10, 15 anos. Isso deve ser resolvido. Deixei claro às autoridades interinas na Venezuela e acredito que isso será fundamental para melhorar a relação entre os dois países. É impossível que as relações realmente melhorem enquanto esta questão permanecer como está”, declarou Rubio, sem apresentar evidências do apontamento feito. 

Acordos entre Colômbia e EUA

Durante a visita do secretário de Estado, os governos da Colômbia e dos Estados Unidos assinaram novos memorandos de entendimento. Entre as medidas anunciadas está a cooperação para o fornecimento de minerais críticos e terras raras, além de um acordo sobre energia nuclear civil. 

Os dois países também anunciaram a participação conjunta no chamado Escudo das Américas, uma iniciativa militar e de segurança que reúne 19 governos de extrema-direita, cuja sede será instalada na cidade colombiana de Medellín.

Durante o anúncio, as autoridades confirmaram o retorno de ações de pulverização de glifosato, agrotóxico altamente tóxico e relacionado à incidência de cânceres, contra o cultivo de drogas. O governo colombiano também solicitou o apoio dos Estados Unidos para obter financiamento em órgãos multilaterais e pediu a abertura de um consulado em Barranquilla.

Na viagem, Rubio celebrou a mudança de governo na Colômbia e fez críticas ao governo anterior, liderado pelo ex-presidente Gustavo Petro. 

“Há também um desastre institucional decorrente de quatro anos de um mau governo que danificou a relação entre os Estados Unidos e a Colômbia, algo que não é natural. Os Estados Unidos e a Colômbia têm um vínculo muito forte que vai além da cooperação entre governos, sendo um vínculo cultural, social e de pessoa para pessoa”, declarou.

“O estado natural das coisas é que os Estados Unidos e a Colômbia sejam aliados, e os últimos quatro anos foram uma aberração entre os governos, algo que está claramente mudando”, afirmou o secretário.

Fonte
Brasil de Fato
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