Cerca de mil pessoas caminharam pelo centro de Curitiba (PR) com as bandeiras da classe trabalhadora na tarde desta segunda-feira (7). O 32º Grito dos Excluídos e Excluídas denunciou o avanço do fascismo e da violência de gênero e defendeu o fim da escala 6×1, o direito à moradia e a soberania nacional. A tradicional mobilização do 7 de setembro reuniu milhares de manifestantes em todo o país.
Em Curitiba, nem o frio nem o feriado prolongado impediram a marcha. O ato reuniu movimentos populares, povos indígenas, entre outras organizações, e demarcou um contraponto ao desfile cívico-militar que marca a comemoração do Dia da Independência do Brasil.

Ana Clara Nunes, uma das organizadoras do ato em Curitiba, conta que o fundamento do Grito é reunir o povo que sempre esteve à margem da sociedade, para pressionar por um país mais justo.
“Toda mudança começa com a multidão de gente na rua, reivindicando o mesmo objetivo. Por isso, a gente quer retornar a esse lugar que é nosso, e nós vamos, enquanto classe trabalhadora, conquistar nossos direitos”, enfatiza a militante do Movimento de Trabalhadoras e Trabalhadores por Direitos (MTD).
A manifestação começou por volta das 14h30, na Praça Tiradentes, marco zero de Curitiba, com lanche compartilhado para pessoas em situações de rua, preparado pelo coletivo Marmitas da Terra. Segundo a coordenação do ato, cerca de mil pessoas participaram do ato. A abertura foi conduzida pelos povos indígenas, com danças e cantos dos povos Kaingang, Guarani e Xetá.

Edson Tuvy, liderança de etnia Kaingang e morador da ocupação Parque do Mate, em Campo Largo (PR), explica que o 7 de setembro não é uma data comemorativa para os indígenas. “O estado do Paraná é indígena, a gente tem história. Estamos nessa luta não somente aqui; hoje a população indígena também está nas outras regiões reivindicando o que é, por direito, indígena”, conta.
Mais de 60 pessoas, vindas da ocupação indígena na Região Metropolitana de Curitiba, compareceram ao ato. O Paraná tem quatro retomadas indígenas, que estão sob risco de despejo.
Em marcha, os manifestantes atravessaram um trecho do Largo da Ordem e desceram pela avenida Mateus Leme. Em frente ao shopping Mueller, a mobilização cobrou o fim da escala 6×1 e pintou, na rua de entrada do estabelecimento, “A escala 6×1 é mortal”.

Ainda em frente ao shopping, a manifestação parou para um ato contra a extrema direita e o fascismo. Foram queimados bonecos com os rostos do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, do candidato à presidência Flávio Bolsonaro e do ex-juiz da Lava Jato, Sergio Moro, e um boné do partido Missão. A palavra de ordem, entoada pelos manifestantes, foi “Fora Trump da América Latina! Fora Israel das terras palestinas!”
O combate à violência de gênero também foi central no 32º Grito. Associada à defesa da soberania e do fim da escala 6×1, a pauta esteve presente por todo o ato. Segundo Ana Clara, a escala é ainda mais extenuante para as mulheres, que dedicam o sétimo dia, o único destinado ao descanso, ao trabalho doméstico. O ato terminou na Praça 19 de Dezembro, com atividades culturais, à noite.

Renata Dutra, integrante da Bloca Ela Pode, Ela Vai, coletivo feminista de carnaval, argumenta que “a alegria é uma forma de organizar a raiva, de colocar as nossas pautas na alegria mesmo, como resistência, como brincar. E o brincar do carnaval é um ato de resistência”. A Bloca, fundada em 2018, em Curitiba, no contexto das mobilizações do Ele Não, puxou gritos e batucadas durante toda a manifestação.
Com o lema “Na defesa da Terra, da paz e da moradia, erguemos a voz: mulheres vivas e soberania!”, o 32º Grito foi organizado em Curitiba pela Frente de Lutas.
