Em novos experimentos, os físicos liderados por Alexis Forestier, da Comissão Francesa de Energias Alternativas e Energia Atômica, espremeram as pequenas amostras de água entre as pontas dos diamantes a pressões de até 230 gigapascais, enquanto usavam lasers para aquecê-las a temperaturas tremendas de 2.357 graus Celsius.
Depois, aproveitaram um feixe extremamente estreito de raios-X síncrotron para atingirem mudanças na estrutura cristalina do gelo. O que emergiu foi uma configuração prevista teoricamente, mas nunca observada em experimentos: gelo hexagonal fechado.
A nova forma também mostrou comportamento superiônico, sugerindo que tinha entrado neste estado ao ser aquecida a 1.426 graus Celsius. Nessas temperaturas, normalmente se espera que a água se torne um gás, dividindo-se parcialmente em átomos de oxigênio e hidrogênio.
Mas com as pressões astronômicas algo interessante aconteceu. Sob pressões esmagadoras de milhões de atmosferas, essa expansão foi bloqueada. Em vez disso, a água permaneceu extraordinariamente densa, assumindo uma forma exótica de gelo superiônico.
Se trata de um estado profundamente estranho da matéria que não é totalmente sólido nem totalmente líquido. Seus átomos de oxigênio permanecem fixos em uma estrutura cristalina rígida. Mas os núcleos de hidrogênio são móveis, difundindo-se através dessa rede mais como partículas em um líquido.
Acredita-se que exista esse gelo superiônico nas profundezas de Urano e Netuno, onde as suas propriedades inusuais podem desempenhar um papel na geração dos campos magnéticos dos planetas.


