Simpósio da UFSM aborda a presença das mulheres na filosofia e na educação

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10/09/2026 às 12:352 visualizações
Professoras palestram sobre a história da mulher na educação
Professoras palestram sobre a história da mulher na educação
Universidade Federal de Santa Maria
Professoras palestram sobre a história da mulher na educação
Professoras palestram sobre a história da mulher na educação
Professoras palestram sobre a história da mulher na educação

O 1º Simpósio Mulheres Também Sabem Filosofia teve início nesta quarta-feira (9), no Museu do Conhecimento da UFSM, com a participação de estudantes, servidores e professores da Universidade. Promovido pelo Departamento de Filosofia, por meio do Laboratório de Ações e Teorias Interseccionais, Feministas e Antirracistas (LATIFA), o evento propõe discussões sobre a presença das mulheres na produção do conhecimento filosófico e educacional.

A abertura incluiu a apresentação do site do projeto de extensão Mulheres Também Sabem Filosofia e a palestra “Uma história feminista da educação”, ministrada pelas professoras Elisete Tomazetti e Jéssica Erd, do Departamento de Metodologia do Ensino do Centro de Educação (CE). A atividade marca o início de uma programação que reúne diferentes pesquisadoras e perspectivas sobre a filosofia.

Com apoio da FAPERGS, o simpósio também conta com apresentações de pesquisas, minicurso, lançamentos de livros e rodas de conversa. Nos dias 10 e 11, as atividades ocorrem na sala 2323 do prédio 74A.

Representação feminina na educação

Público acompanha palestra no prédio 74A
Público acompanha palestra no prédio 74A
Público acompanha palestra no prédio 74A

Na palestra, Elisete Tomazetti resgatou trajetórias de pensadoras brasileiras como Nísia Floresta e Maria Lacerda de Moura, enquanto Jéssica Erd tratou da representatividade racial na filosofia, com referências a Lélia Gonzalez e Sueli Carneiro.

Para Jéssica Erd, a forte presença feminina no campo da educação ao longo da história ajuda a explicar por que essa área foi historicamente desvalorizada. “Historicamente, a educação foi um campo composto por mulheres, por professoras. Assim, se desenvolveu uma ideia de que educação é coisa de mulher, como uma coisa inferior, uma coisa menor”, afirma a professora.

A discussão avançou ainda sobre o próprio conceito de representatividade. Ao abordar a produção filosófica de mulheres negras, as professoras defenderam que não basta inserir mulheres nas narrativas já existentes, é preciso considerar as diferentes experiências e perspectivas que atravessam essa produção. “Esse reconhecimento deve alcançar principalmente as mulheres negras, como produtoras de conhecimento científico, filosófico e educacional”, reforça Jéssica Erd.

Para a estudante de Pedagogia Isadora Reginato, que acompanhou a atividade, o conteúdo ampliou a compreensão sobre o tema a partir da própria formação. “Eu já tinha uma noção de como as mulheres são desfavorecidas na história, e na filosofia não seria diferente. Então deu para ter uma percepção maior”, afirma.

Programação do evento segue até sexta (11)
Programação do evento segue até sexta (11)
Programação do evento segue até sexta (11)

Sobre o projeto

Vinculado ao LATIFA, Mulheres Também Sabem Filosofia nasceu da constatação de que a produção filosófica de mulheres ainda recebe pouco reconhecimento, sobretudo nos cursos de graduação. Segundo Camila Barbosa, coordenadora do laboratório, o cânone filosófico reserva poucos nomes femininos, apesar da presença histórica na área. “A gente tem, historicamente, desde a Grécia Antiga, muitas mulheres que fizeram a filosofia ser o que é”, explica.

Para reverter esse quadro, o projeto criou uma plataforma pública, disponível desde abril, que reúne informações sobre filósofas brasileiras, suas trajetórias acadêmicas, áreas de pesquisa e produções. O objetivo é mapear a presença das mulheres na filosofia no país e facilitar o acesso a referências ainda pouco conhecidas.

A iniciativa também contesta um argumento recorrente para justificar a ausência feminina em espaços acadêmicos. “A gente escuta que mulheres não estavam nos eventos porque não tinham. Que mulheres não compunham bancas, seleções, porque não tinham. Quando, na verdade, temos várias colegas”, relata Camila.

A próxima meta da plataforma é ampliar o levantamento para todo o território nacional, com o cadastro de pelo menos uma filósofa por estado. O projeto também quer dar visibilidade à diversidade entre as próprias mulheres que produzem conhecimento, como trajetórias de filósofas negras e trans. “A gente tem que pensar não só em mulheres, mas também na diversidade dentro das mulheres”, afirma Camila.

A plataforma Mulheres Também Sabem Filosofia está disponível ao público.

Confira a programação completa do evento em: Simpósio Mulheres Também Sabem Filosofia será realizado em setembro

Texto: Giovanna Felkl, estudante de Jornalismo e bolsista da Agência de Notícias
Fotos: Gabriele Mendes, estudante de Jornalismo e bolsista da Agência de Notícias
Edição: Ricardo Bonfanti, jornalista

Fonte
Universidade Federal de Santa Maria
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