A vitória do partido de extrema-direita nas eleições para o Estado alemão da Saxônia-Anhalt, onde fica a cidade de Dessau, reacende a perseguição ao legado da Bauhaus. Criada em 1919, a escola tornou-se referência mundial em arquitetura, design e educação, defendendo um projeto de emancipação social baseado na igualdade e em uma visão universal da humanidade. Para o professor Guilherme Wisnik, a instituição voltou a ser alvo justamente por representar valores que se contrapõem ao nacionalismo e ao autoritarismo.
Segundo Wisnik, a Bauhaus e outras vanguardas construtivas surgiram no período entre guerras como uma reação ao nacionalismo e às ideias que haviam contribuído para a Primeira Guerra Mundial. A escola funcionou primeiro em Weimar e depois em Dessau, até ser dissolvida em 1933, com a ascensão do nazismo. “É uma espécie de eterno retorno histórico”, afirma o professor, ao destacar que o confronto entre movimentos progressistas e projetos autoritários volta a se manifestar em diferentes momentos e contextos.
Para Wisnik, essa disputa também aparece na arquitetura e na política contemporânea, inclusive nos ataques ao Modernismo no Brasil e nos Estados Unidos. Ele relaciona a valorização de estilos neoclássicos e monumentais por setores da extrema-direita à busca de uma suposta autoridade histórica e ao combate a artistas, intelectuais e professores. No Brasil, o professor cita, ainda, os ataques de 8 de janeiro de 2023 às obras modernistas de Brasília como parte dessa mesma disputa simbólica.
Espaço em Obra
Com o Prof. Guilherme Wisnik
A coluna Espaço em Obra, com o professor Guilherme Wisnik, vai ao ar quinzenalmente quinta-feira às 8h, na Rádio USP (São Paulo 93,7; Ribeirão Preto 107,9), com produção da Rádio USP, Jornal da USP e TV USP.





