Área em que está a Venezuela é das mais propícias a terremotos próximos da superfície, explica pesquisadora — Insubornavel

Área em que está a Venezuela é das mais propícias a terremotos próximos da superfície, explica pesquisadora

Por José Bernardes30/06/2026 às 23:481 visualizações

A Venezuela foi arrasada depois de dois terremotos que marcaram 7,2 e 7,5 graus na escala Richter, ocorridos na última quarta-feira (24). O número de mortos já chega a quase 2 mil e dezenas de milhares de pessoas seguem desaparecidas.

Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, Carolina Rivadeneyra, pesquisadora do Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo (USP), explica tecnicamente o fenômeno, destacando que é comum que aconteça em determinadas regiões, como a que a Venezuela está.

Ela detalha que a Terra está dividida por camadas e a litosfera é uma camada mais superficial, mas ela tem um núcleo bem profundo.

“O núcleo está em 5.200 km de profundidade, aproximadamente, mas a litosfera tem uma espessura de uns 200 km. Essa casca que envolve a Terra está dividida em regiões, como, por exemplo, no Chile, no Peru. Em toda a costa oeste da América do Sul, essas placas estão se juntando. Os terremotos acontecem porque, no momento em que essas placas interagem, elas estão gerando tensões que vão se acumulando e chega uma hora em que a litosfera não consegue mais segurar essas tensões e ela se rompe. E libera energia em forma de terremotos”, explica.

Rivadeneyra reforça que terremotos são eventos naturais e que algumas regiões são mais afetadas que outras. “Na Venezuela tem um movimento que é recorrente, que uma placa está se deslizando sobre outra: a placa da América do Sul e a placa do Caribe”, destaca.

A prevenção desse tipo de fenômeno ainda é bastante difícil por falta de tecnologia capaz de antecipar um abalo sísmico. Terremotos são eventos naturais difíceis de prever e de estimar com precisão a magnitude de cada evento.

“Essas tensões estão se acumulando a 70 quilômetros de profundidade. A gente não tem como medir o quanto a rocha vai aguentar essas tensões. O que a gente tem são probabilidades dos lugares onde podem acontecer terremotos e das magnitudes que eles podem atingir. A gente estuda a sismicidade do passado para entender como a Terra vai continuar agindo no presente e no futuro. No caso da Venezuela, o último sismo forte na região foi há quase 100 anos. Existe um histórico de um longo período sem terremotos fortes, o que indica que as tensões estão se acumulando. Quanto mais tempo passa, maior é a probabilidade de que um novo terremoto aconteça em lugares onde eles já ocorreram antes”, explica Rivadeneyra.

O grau de extensão da catástrofe na Venezuela também se deu porque o abalo sísmico aconteceu a 13 quilômetros de profundidade, ou seja, foi muito próximo da superfície, em termos geológicos.

“Quando ocorre um terremoto, as ondas sísmicas se propagam e, quanto mais profundo é o foco, ou hipocentro, maior é a distância que elas percorrem até a superfície. Nesse trajeto, as ondas perdem energia. Ou seja, quanto mais profundo o sismo, menor tende a ser a energia que chega à superfície. Esses dois sismos foram relativamente superficiais, considerando o contexto dos terremotos. Infelizmente, no contexto tectônico da Venezuela, que são placas transcorrentes, é comum ter esse tipo de profundidade, similar ao que acontece na falha de San Andrés também”, explica a pesquisadora.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Fonte
Brasil de Fato
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