Violência cresce em contexto de instabilidade global, marcado por tensões geopolíticas e conflitos prolongados; líder da ONU, António Guterres, sublinha que resposta internacional deve acompanhar novos desafios e respeitar direitos humanos.
O terrorismo está a evoluir e a comunidade internacional deve responder aos novos desafios que comprometem a segurança das sociedades. Esta foi a principal conclusão da Semana de Combate ao Terrorismo, que reuniu mais de mil participantes de 119 países, na sede da ONU, em Nova Iorque.
Na segunda-feira, o secretário-geral da ONU, António Guterres, apelou por participação ativa e coletiva dos Estados-membros para enfrentar as novas ameaças colocadas pelo terrorismo, “através da prevenção, da cooperação e de um compromisso inabalável com os direitos humanos”.
Ameaças terroristas mais sofisticadas
No mesmo dia, Alexandre Zouev, subsecretário-seral interino das Nações Unidas para o Combate ao Terrorismo, alertou que grupos como a Al-Qaeda, o Daesh e os seus afiliados “continuam adaptáveis e resilientes”.
Ao adotarem novas estratégias, os terroristas procuram explorar a “instabilidade, falhas de governação, desigualdades socioeconómicas e novas tecnologias emergentes para expandir o seu alcance, recrutar e mobilizar recursos”, explicou.
O responsável acrescentou que estes grupos estão a tornar-se cada vez mais sofisticados, recorrendo a novas ferramentas de inteligência artificial e a ações que ameaçam o domínio da cibersegurança coletiva.

Ação individual e coletiva
Este ano assinala-se o 20.º aniversário da Estratégia Global das Nações Unidas contra o Terrorismo, que, segundo o secretário-geral, constitui uma oportunidade para avaliar os progressos e reforçar o compromisso.
Embora a responsabilidade primária de prevenir e combater o terrorismo recaia sobre os Estados-membros, a ONU continua a sublinhar a importância de incluir uma ampla gama de intervenientes, como vítimas, mulheres e jovens.

Mulheres ausentes dos espaços de decisão
Fatima Ali Haider, representante da Rede de Associações de Vítimas do Terrorismo das Nações Unidas, VoTAN, incentivou os governos a “assegurar que as vítimas sejam colaboradoras nas políticas e estratégias”.
A especialista em estudos de paz e conflito sublinhou ainda a ausência de mulheres nos espaços de decisão estratégica.
“Precisamos de redesenhar a arquitetura de segurança para garantir a liderança das mulheres e a sua presença igualitária a todos os níveis, desde o lar aos espaços públicos, aos órgãos de segurança nacional e, sim, até ao Conselho de Segurança”, acrescentou.
