Leonel Brizola: o trabalhismo que enfrentou um golpe e reinventou a escola pública

Fonte: Insubornavel
Por Benito Juarez01/07/2026 às 20:2334 visualizações
Foto oficial de Leonel Brizola como Governador do Rio Grande do Sul (1959-1963)
Foto oficial de Leonel Brizola como Governador do Rio Grande do Sul (1959-1963)
Foto: Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul — Memorial do Legislativo, via Wikimedia Commons / Wikimedia Commons

Artigo de opinião — este texto assume, desde o título, uma posição favorável a Leonel Brizola. Não é reportagem factual neutra.

Leonel de Moura Brizola nasceu em 22 de janeiro de 1922, em Carazinho, e morreu no Rio de Janeiro em 21 de junho de 2004, aos oitenta e dois anos. Engenheiro de formação, foi deputado estadual, prefeito de Porto Alegre e o único político da história brasileira eleito pelo voto popular para governar dois estados diferentes (SENADO NOTÍCIAS. Leonel de Moura Brizola foi o único político eleito pelo povo a governar dois estados. Brasília: Senado Federal, 2008. Disponível em: https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2008/06/10/leonel-de-moura-brizola-foi-o-unico-politico-eleito-pelo-povo-a-governar-dois-estados. Acesso em: 1 jul. 2026).

A Campanha da Legalidade: um golpe evitado em 1961

Em agosto de 1961, com a renúncia de Jânio Quadros, ministros militares tentaram impedir a posse do vice-presidente João Goulart. Brizola, então governador do Rio Grande do Sul, organizou a cadeia de rádio da Legalidade — uma rede de emissoras que, a partir do Palácio Piratini, em Porto Alegre, denunciou a tentativa de golpe e convocou resistência popular em defesa da Constituição. Com o apoio do General Machado Lopes, a mobilização forçou um acordo que garantiu a posse de Goulart (SENADO NOTÍCIAS. Morto há 20 anos, Brizola liderou resistência armada e evitou golpe militar em 1961. Brasília: Senado Federal, 2024. Disponível em: https://www12.senado.leg.br/noticias/especiais/arquivo-s/morto-ha-20-anos-brizola-liderou-resistencia-armada-e-evitou-golpe-militar-em-1961. Acesso em: 1 jul. 2026).

Ainda como governador gaúcho, em 1959, Brizola decretou a encampação da Companhia Elétrica Rio-Grandense, subsidiária da norte-americana Bond and Share, pelo valor simbólico de um cruzeiro, alegando concessão vencida e ausência de investimento — um dos atos mais lembrados do nacionalismo econômico trabalhista da época (JUS.COM.BR. Leonel Brizola: um perfil biográfico. [S. l.: s. n.], [20--]. Disponível em: https://jus.com.br/artigos/19907/leonel-brizola-um-perfil-biografico. Acesso em: 1 jul. 2026).

Exílio, resistência e a fundação do Partido Democrático Trabalhista

Após a Revolução de 1964, Brizola passou quinze anos no exílio, primeiro no Uruguai. Em 17 de junho de 1979, já em Lisboa, liderou o Encontro de Trabalhadores Brasileiros com Trabalhadores no Exílio, que fundou o Partido Democrático Trabalhista — PDT, reunindo cerca de cento e vinte militantes exilados e convidados vindos do Brasil (FUNDAÇÃO LEONEL BRIZOLA — ALBERTO PASQUALINI. O PDT é um instrumento de transformação, é uma fonte de energia e de história acumulados pelo povo brasileiro! [S. l.], [20--]. Disponível em: https://www.flb-ap.org.br/tribunas/o-pdt-e-um-instrumento-de-transformacao-e-uma-fonte-de-energia-e-de-historia-acumulados-pelo-povo-brasileiro/. Acesso em: 1 jul. 2026). Com a Lei nº 6.683, de 28 de agosto de 1979 — a Lei da Anistia —, Brizola retornou ao país em 7 de setembro de 1979, desembarcando em Foz do Iguaçu (BRASIL. Presidência da República. Lei nº 6.683, de 28 de agosto de 1979. Concede anistia e dá outras providências. Brasília, DF, 1979. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l6683.htm. Acesso em: 1 jul. 2026).

Brizola no mundo: da ira de Kennedy ao asilo de Carter e à Internacional Socialista

A trajetória de Brizola nunca foi apenas doméstica — ele foi, por décadas, uma peça no tabuleiro da Guerra Fria. Ainda governador do Rio Grande do Sul, encampou duas empresas de capital norte-americano: a Companhia de Energia Elétrica Rio-Grandense, subsidiária da Bond and Share, em 1959, e a Companhia Telefônica Nacional, subsidiária da International Telephone and Telegraph — ITT, em 1962. Os atos, feitos por indenização simbólica e amparados em decisão judicial brasileira, foram lidos em Washington como nacionalismo perigoso. O embaixador norte-americano Lincoln Gordon relatou a inquietação diretamente ao presidente John Kennedy, e o episódio ajudou a esfriar as relações entre os Estados Unidos e o governo de João Goulart, cunhado de Brizola (MEMORIAL DA DEMOCRACIA. Brizola encampa a Bond & Share. São Paulo: Instituto Lula, [20--]. Disponível em: https://memorialdademocracia.com.br/card/brizola-encampa-a-bond-share. Acesso em: 1 jul. 2026).

Documentos da Agência Central de Inteligência norte-americana — CIA, desclassificados nos Estados Unidos e divulgados no lote de arquivos ligados à investigação do assassinato de Kennedy, mostram que Brizola foi um dos principais alvos de vigilância da agência no Brasil, tratado com a mesma desconfiança reservada a líderes revolucionários da época e, em certos relatórios, comparado a Fidel Castro (CLICRDC. Brizola era visto como ameaça pelos EUA nos anos 60, mostram documentos secretos. [S. l.], 2025. Disponível em: https://clicrdc.com.br/gestao-e-negocios/brizola-era-visto-como-ameaca-pelos-eua-nos-anos-60-mostram-documentos-secretos/. Acesso em: 1 jul. 2026).

Com a queda de João Goulart, em 1964, exilou-se no Uruguai, de onde articulou tentativas de resistência armada à ditadura — entre elas a malograda guerrilha da Serra do Caparaó (1966-1967), desbaratada antes de deslanchar. Segundo relatos, Fidel Castro chegou a oferecer apoio material e "voluntários" para a luta contra o regime militar, oferta que Brizola declinou, para não transformar a resistência brasileira em caso internacional. Documentos da CIA chegam a atribuir-lhe o plano de um atentado contra o General-Presidente Costa e Silva em Punta del Este, em 1967 — afirmação que consta dos relatórios da agência e deve ser lida com a cautela devida a fontes de inteligência. Expulso do Uruguai, Brizola pediu, em 1977, asilo aos Estados Unidos, testando na prática a política de direitos humanos do presidente Jimmy Carter — que autorizou sua entrada e lhe concedeu abrigo, dando início a uma relação de respeito entre os dois (BRASIL 247. O off de Brizola e a Operação Condor. [S. l.], [20--]. Disponível em: https://www.brasil247.com/blog/o-off-de-brizola-e-a-operacao-condor. Acesso em: 1 jul. 2026).

Anos depois, já ex-presidente e futuro Nobel da Paz, Carter voltou ao Brasil e, em 1984, subiu a comunidade do Pavão-Pavãozinho, no Rio de Janeiro, acompanhado por Brizola, então governador, para conhecer o programa de urbanização de favelas — cena que selou a amizade entre os dois (CAFÉ HISTÓRIA. Encontro com Brizola, visita a monumento confederado e direitos humanos: Jimmy Carter no Brasil. [S. l.], 2024. Disponível em: https://www.cafehistoria.com.br/jimmy-carter-no-brasil-1978/. Acesso em: 1 jul. 2026).

O trabalhismo de Brizola tinha, ademais, uma vocação internacionalista explícita, e sempre democrática — nunca alinhada ao comunismo soviético. Foi no exílio, em Lisboa, em 1979, com o apoio do socialista português Mário Soares, que ele lançou a Carta de Lisboa e gestou o Partido Democrático Trabalhista — PDT. Dez anos mais tarde, no Congresso de Estocolmo de 1989, o PDT tornou-se o primeiro partido brasileiro membro efetivo da Internacional Socialista, e Brizola, o primeiro brasileiro eleito vice-presidente da entidade — convivendo com nomes como Willy Brandt, Mário Soares e François Mitterrand (PARTIDO DEMOCRÁTICO TRABALHISTA. Internacional Socialista. [S. l.], [20--]. Disponível em: https://pdt.org.br/index.php/internacional-socialista/. Acesso em: 1 jul. 2026).

Leonel de Moura Brizola em retrato de época
Leonel de Moura Brizola em retrato de época
Fotos Antigas RS (prati.com.br), via Flickr · Domínio público

Os Centros Integrados de Educação Pública: educação integral com a marca de Darcy Ribeiro

No governo do Rio de Janeiro (1983-1987 e 1991-1994), Brizola e o antropólogo Darcy Ribeiro criaram os Centros Integrados de Educação Pública — CIEPs, apelidados de "Brizolões". Mais de quinhentas unidades foram construídas, muitas em favelas e bairros populares, oferecendo educação em tempo integral combinada com assistência médica, odontológica e social. Os prédios, com as janelas retangulares e bordas arredondadas características, foram projetados pelo arquiteto Oscar Niemeyer. O modelo completou quarenta anos em 2025 e ainda inspira políticas públicas de educação integral no país (AGÊNCIA BRASIL. Cieps completam 40 anos como projeto de referência para educação. Brasília: Empresa Brasil de Comunicação, 2025. Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/educacao/noticia/2025-06/com-40-anos-modelo-dos-cieps-inspira-politicas-publicas. Acesso em: 1 jul. 2026; BRASIL DE FATO. Cieps completam 40 anos: projeto de Darcy Ribeiro transformou a educação pública fluminense. [S. l.], 2025. Disponível em: https://www.brasildefato.com.br/2025/05/27/cieps-completam-40-anos-projeto-de-darcy-ribeiro-transformou-a-educacao-publica-fluminense/. Acesso em: 1 jul. 2026).

No mesmo governo, Brizola aboliu a Secretaria de Segurança tradicional, elevou a Polícia Militar e a Polícia Civil a secretarias próprias e criou o Conselho de Justiça, Segurança Pública e Direitos Humanos, com participação da sociedade civil, sob a liderança do Coronel Carlos Magno Nazareth Cerqueira — uma tentativa deliberada de romper com métodos policiais herdados do regime militar (FUNDAÇÃO LEONEL BRIZOLA — ALBERTO PASQUALINI. Brizola no Rio de Janeiro. [S. l.], [20--]. Disponível em: https://www.flb-ap.org.br/tribunas/brizola-rio-de-janeiro/. Acesso em: 1 jul. 2026).

As candidaturas presidenciais

Brizola disputou a Presidência da República em 1989, ficando em terceiro lugar, atrás de Fernando Collor e Luiz Inácio Lula da Silva, por pouco menos de quatrocentos e cinquenta mil votos, e em 1994, em quinto lugar. Em 1998, concorreu à vice-presidência na chapa de Lula, derrotada por Fernando Henrique Cardoso (FGV CPDOC. Leonel Brizola. Rio de Janeiro: Fundação Getulio Vargas, [20--]. Disponível em: https://cpdoc.fgv.br/biografias/leonel-brizola. Acesso em: 1 jul. 2026).

Brizola durante a campanha presidencial de 1989
Brizola durante a campanha presidencial de 1989, ano da entrevista ao Roda Viva citada adiante
Partido Democrático Trabalhista — PDT, via Wikimedia Commons · Domínio público

Morte e legado

Passadas duas décadas de sua morte, a trajetória de Brizola segue como referência do trabalhismo brasileiro — a defesa da Constituição em 1961, o nacionalismo econômico, os CIEPs e a tentativa de policiamento menos violento nas favelas cariocas (PARTIDO DOS TRABALHADORES. 100 anos de Leonel Brizola, por Aloizio Mercadante. [S. l.], 2022. Disponível em: https://pt.org.br/artigo-100-anos-de-leonel-brizola-por-aloizio-mercadante/. Acesso em: 1 jul. 2026).

Uma crítica recorrente — e por que ela não se sustenta

Críticos atribuem à proibição de operações policiais em favelas, decretada por Brizola a partir de 1983, o fortalecimento do Comando Vermelho como facção criminosa (GAZETA DO POVO. Como STF, Brizola proibiu operações em favelas no Rio há 40 anos. Curitiba, 2023. Disponível em: https://www.gazetadopovo.com.br/republica/como-stf-brizola-proibiu-operacoes-em-favelas-no-rio-ha-40-anos/. Acesso em: 1 jul. 2026). O argumento é frágil na própria premissa: a primeira favela do Rio de Janeiro, o Morro da Providência, existe desde 1897 — ocupada por ex-combatentes de Canudos e por libertos recém-saídos da escravidão —, quase noventa anos antes de Brizola assumir o governo pela primeira vez, em 1983 (AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DAS FAVELAS. A história da primeira favela do Rio. [S. l.], [20--]. Disponível em: https://www.anf.org.br/a-historia-da-primeira-favela-do-rio/. Acesso em: 1 jul. 2026). Culpá-lo pela existência das favelas, ou tratá-lo como origem do problema de segurança nelas, inverte quase um século de história urbana.

Vale a pena, aqui, um desvio de erudição — porque a própria palavra favela guarda a chave dessa inversão histórica. O termo não nasceu no Rio de Janeiro nem tem qualquer relação de origem com pobreza urbana: é o nome de uma planta do sertão nordestino. A faveleira (Cnidoscolus quercifolius, da família Euphorbiaceae) é um arbusto espinhento e resistente da caatinga, de folhas urticantes que ardem ao toque e que sobrevive às secas mais longas — planta forrageira que os vaqueiros conheciam bem e a ciência, então, ignorava. Foi Euclides da Cunha, em Os Sertões (1902), quem a registrou na literatura, no capítulo "A Terra": "As favelas, anônimas ainda na ciência — ignoradas dos sábios, conhecidas demais pelos tabaréus — talvez um futuro gênero cauterium das leguminosas, têm, nas folhas de células alongadas em vilosidades, notáveis aprestos de condensação, absorção e defesa. Por um lado, a sua epiderme ao resfriar-se, à noite, muito abaixo da temperatura do ar, provoca, a despeito da secura deste, breves precipitações de orvalho; por outro, a mão, que a toca, toca uma chapa incandescente de ardência inaturável" (CUNHA, Euclides da. Os Sertões: campanha de Canudos. Rio de Janeiro: Laemmert, 1902. Capítulo "A Terra", IV. Disponível em: https://euclidesite.com.br/obras-de-euclides-da-cunha/os-sertoes/a-terra-iv/. Acesso em: 1 jul. 2026).

Um dos morros que cercavam o arraial de Canudos, na Bahia, era coberto por essa planta e por isso ficou conhecido como Morro da Favela. Foi dali que as tropas do Exército bombardearam Canudos, em 1897, na guerra que dizimou o povoado de Antônio Conselheiro — episódio central de Os Sertões. Terminada a campanha, os soldados voltaram ao Rio de Janeiro, então capital da República, e não receberam o soldo nem a moradia prometidos. Instalaram-se provisoriamente num morro junto ao centro, o antigo Morro da Providência, e o rebatizaram de Morro da Favela, em memória do morro baiano onde haviam acampado. Daí — e só daí — o nome se generalizou: a partir daquele morro carioca, "favela" passou a designar, primeiro na cidade e depois no país inteiro, os aglomerados de moradia popular erguidos nas encostas (INSTITUTO PEREIRA PASSOS; PREFEITURA DO RIO DE JANEIRO. Morro da Providência: primeira favela do Brasil. Rio de Janeiro, [20--]; e AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DAS FAVELAS. A história da primeira favela do Rio. [S. l.], [20--]. Disponível em: https://www.anf.org.br/a-historia-da-primeira-favela-do-rio/. Acesso em: 1 jul. 2026).

A ironia é exata e merece ser dita com todas as letras: a palavra que hoje se usa para culpar Brizola nasceu de uma planta da caatinga, de uma guerra do Estado brasileiro contra os seus próprios pobres, e de soldados abandonados pela República que os mandou matar. Quando Brizola assumiu o governo do Rio, em 1983, o Morro da Providência — a favela original — já tinha oitenta e seis anos. Nenhum governante inventou a favela; ela é anterior a todos eles, e sua origem está inscrita na própria história de como o Estado tratou os pobres deste país.

O que Brizola de fato mudou foi o método: acabar com operações policiais que entravam atirando em barracos sem mandado, atingindo moradores inocentes. Em campanha, em 1982, ele foi direto: "No meu governo, a polícia não vai abrir as portas de um barraco a butinaço. Fará tudo na forma da lei, como em qualquer bairro" (DICIONÁRIO DE FAVELAS MARIELLE FRANCO. Leonel Brizola e as favelas do Rio. [S. l.], [20--]. Disponível em: https://wikifavelas.com.br/index.php/Leonel_Brizola_e_as_favelas_do_Rio. Acesso em: 1 jul. 2026). A motivação declarada era conter o autoritarismo, a violência e o conteúdo racista das ações policiais na Baixada Fluminense — tratar o barraco como o lar inviolável que já era, por lei, qualquer outra casa da cidade. Exigir mandado judicial para entrar numa casa não é uma política de segurança pública frouxa: é o mínimo constitucional que qualquer governo deveria ter garantido desde sempre.

O próprio Brizola enfrentou essa cobrança ao vivo, no programa Roda Viva — TV Cultura, em 9 de agosto de 1989, quando o apresentador agrupou perguntas de telespectadores sobre se ele, como presidente da República, repetiria a atuação que teve na segurança do Rio de Janeiro. Vale ler a pergunta e a resposta:

Jorge Escosteguy (apresentador): "Eles perguntam, basicamente, se o senhor, como presidente da República, repetirá a atuação que teve no Rio de Janeiro em relação à segurança do cidadão, onde — segundo eles — não houve o combate ao crime organizado e existiu até um aumento no índice de criminalidade?"

Leonel Brizola: "Eu acho que as elites do nosso país estão cegas a respeito da questão da violência. O atual governo do Rio de Janeiro, o governo Moreira Franco, é um governo elitista, nitidamente elitista. Pois bem, como ele trata o problema da violência? Procurou destruir aquele programa dos CIEPs [...] e incentivou a repressão. 'As favelas são guetos de inimigos, tem que invadir as favelas.' Quer coisa mais escandalosa do que esta? Tudo é culpa da favela... [...] E pior é a matança, o escândalo da matança, isso ainda vai cair sobre as nossas cabeças. Mais de três mil jovens foram mortos com mais de vinte, trinta perfurações de bala de guerra, inclusive crianças menores. [...] Eu mantive um combate firme ao Esquadrão da Morte. Consegui identificar muitos deles. Trabalhamos juntos com a Igreja e o problema dessa matança indiscriminada praticamente parou no meu período."

A entrevista está transcrita na íntegra no acervo Memória Roda Viva (MEMÓRIA RODA VIVA. Leonel Brizola. São Paulo: FAPESP; TV Cultura, 9 ago. 1989. Disponível em: https://rodaviva.fapesp.br/materia/454/entrevistados/leonel_brizola_1989.htm. Acesso em: 1 jul. 2026).

Para explorar: todas as fontes, com notas

Fontes citadas ao longo do texto

A origem do termo "favela" — planta, guerra e cidade

Brizola no Roda Viva — vídeo e transcrições íntegras

A dimensão internacional — Guerra Fria, exílio e Internacional Socialista

Proveniência das imagens deste artigo

Produzido com Claude Fable 5 (Anthropic, IA), sob direção e responsabilidade de Benito Juarez.

Atualizado em 01/07/2026 às 22:01

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