Dependência europeia da China cresce apesar da pressão por autonomia estratégica, diz autoridade

02/07/2026 às 10:383 visualizações
Sputnik Brasil
A Câmara de Comércio da União Europeia na China alerta que, apesar do discurso político em Bruxelas sobre "reduzir dependências", empresas europeias estão cada vez mais integradas às cadeias de suprimentos chinesas.
De acordo com o South China Morning Post, o presidente da entidade, Jens Eskelund, acredita que manter competitividade hoje significa aprofundar essa inserção, mesmo quando governos defendem o movimento oposto.

Segundo a apuração, Eskelund afirma que a Europa interpretou mal o papel da China. Segundo ele, Pequim não é apenas um mercado lucrativo, mas tornou‑se parte estrutural das cadeias globais das quais as empresas europeias dependem. A pressão por autonomia estratégica, portanto, colide com a realidade industrial.

Uma pesquisa recente com quase 300 membros da câmara reforça essa tendência. Mais da metade das empresas afirmou estar ampliando a produção local na China, enquanto apenas uma minoria está aumentando a terceirização para outros países. O custo é o principal motor dessa escolha, já que as cadeias chinesas se tornaram altamente competitivas.
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Panorama internacional
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O executivo falou durante uma conferência econômica em Berlim, logo após negociações comerciais entre o ministro do Comércio da China, Wang Wentao, e o comissário europeu responsável por Comércio, Maros Sefcovic, em Bruxelas. O contexto é de crescente tensão, com a União Europeia (UE) cobrando avanços concretos até outubro para corrigir desequilíbrios comerciais persistentes.
Eskelund destacou ainda que parte da vantagem chinesa vem da taxa de câmbio, já que, segundo estimativas do Instituto Econômico Alemão, o yuan estaria subvalorizado entre 20% e 30% frente ao euro, garantindo aos exportadores chineses uma vantagem estrutural de preços.

Ele afirmou também que Pequim demonstra crescente confiança ao impor sua agenda, recorrendo ao conceito de "dominância da escalada", pelo qual a China seria capaz de elevar os custos de um confronto a níveis que o outro lado não está disposto a suportar.

Diante desse cenário, Eskelund defende que a Europa identifique e proteja capacidades industriais essenciais à sua autonomia estratégica, inclusive por meio de instrumentos como a proposta de Lei do Acelerador Industrial (IAA, na sigla em inglês) — uma tentativa de equilibrar competitividade, segurança econômica e dependência das cadeias chinesas.
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