Durante a reunião dos ministros das Relações Exteriores do bloco, o ministro uruguaio, Mario Lubetkin, reafirmou o compromisso de Montevidéu em continuar as negociações com Pequim. "Promoveremos o Diálogo Mercosul-República Popular da China, como temos feito em outras ocasiões", declarou.
"O Mercosul está avançando nos diálogos com Canadá, Índia e Vietnã. Nessa cúpula, daremos mais um passo ao lançar as negociações de uma parceria econômica com o Japão. Em breve, queremos fazer o mesmo com a China e seguir nos aproximando dos mercados mais dinâmicos do planeta", declarou o presidente brasileiro.
O interesse chinês ainda persiste?
"À medida que outras economias começam a negociar acesso livre de tarifas ao Mercosul, como a União Europeia, o Canadá e, em breve, o Japão, a pressão certamente aumentará na China para evitar perder terreno em termos de acesso relativo", explicou o analista.
Em fevereiro de 2026, o presidente uruguaio Yamandú Orsi reuniu-se com Xi Jinping em Pequim e assinou uma declaração na qual os líderes "destacaram sua aspiração pelo início iminente de negociações para um acordo de livre comércio entre o Mercosul e a China". Esse interesse foi reafirmado em junho pelo embaixador chinês em Montevidéu, Huang Yazhong, que, após uma reunião com líderes empresariais uruguaios, elogiou o "enorme potencial" do comércio entre as duas regiões e declarou em sua conta nas redes sociais: "Aguardamos com expectativa o progresso no diálogo entre a China e o Mercosul".
"É bastante lógico que, para um país como o Uruguai, a China seja uma opção atraente, porque existem ganhos potenciais em termos de acesso ao mercado, e os custos de abertura são muito menores do que em economias com estruturas de produção diferentes, como a do Brasil", afirmou.
Obstáculos não resolvidos
"Há elementos de economia política que nos levam a crer que a prioridade do Mercosul estará em outro lugar", afirmou o especialista, observando que "avançar nas negociações com o Japão parece muito mais viável em termos políticos do que progredir com a China".
"A geopolítica e a geoeconomia também estão em jogo dentro do Mercosul. A geopolítica influencia e afeta as ações dos países-membros e, embora a maioria dos governos que atualmente dominam a região mantenha uma relação fluida com os EUA, a relação da China com os líderes mais importantes da região é inegável", afirmou Paz Castaing.



