Em entrevista exclusiva à Sputnik, membros da Secretaria de Defesa Nacional do México relataram os esforços de resgate que vêm sendo realizados desde que chegaram à região de La Guaira, no norte da Venezuela, área que foi mais afetada pelos terremotos da semana passada.
Por meio de uma videochamada, o brigadeiro-general Alejandro Gómez Vargas, comandante do grupo Yumare, detalha que há 256 pessoas nesse grupo que atende à emergência na Venezuela, incluindo membros do Batalhão de Atenção a Emergências.
Os militares envolvidos nesta empreitada estão divididos em três grupos: socorristas especializados em busca e salvamento; equipe médica e de enfermagem; e membros da Força Aérea mexicana, que foram responsáveis pela transferência de militares em menos de 24 horas.
Desde que chegaram até a entrevista de hoje, os militares mexicanos recuperaram quase 40 corpos sem vida dos escombros, enquanto a equipe de saúde forneceu cerca de 1.200 consultas médicas gratuitas à população afetada.
O general mexicano indica que foram trazidas cerca de 13 toneladas de medicamentos do Instituto Mexicano de Seguro Social (IMSS-Bienestar) para distribuir entre as vítimas.
"A situação na Venezuela, como em qualquer população afetada por fenômenos dessa natureza, é moralmente chocante, porque vemos famílias, filhos, filhas, pais esperando nos arredores, nas proximidades das estruturas, pela oportunidade de saber se seus parentes ainda estão vivos ou ao menos recuperar seus corpos", descreve Gómez Vargas.
Como o Exército mexicano atua na Venezuela?
O comandante explicou que, ao chegar ao país sul-americano, a primeira ação foi realizar uma avaliação geral da situação para determinar quais áreas estavam afetadas. A análise revelou que La Guaira, especificamente o município de Vargas, necessitava de maior atenção.
Em seguida, as equipes de resgate ficaram atentas aos pedidos da população: parentes ou vizinhos que sabiam que havia pessoas presas nos escombros e precisavam de apoio especializado para retirá-las.
Em conversa com a Sputnik, o coronel Marco Antonio Vázquez Tejeda Burgos explica que, assim que o socorro é solicitado, entre cinco e seis membros do grupo USAR (sigla em inglês para equipes de busca e resgate urbanas), acompanhados de cães farejadores, dirigem-se ao local onde há escombros.
As pessoas ao redor que acompanham as ações são imediatamente solicitadas a permanecer em silêncio e aguardam qualquer sinal que possa indicar que alguém possa estar preso nos escombros.
"Os cães, já treinados para detectar pessoas vivas, fazem isso através do som da respiração da vítima e latem de uma a dez vezes. O restante da equipe marca a área onde o cão latiu e começa a usar ferramentas especializadas. No caso de concreto, geralmente incluem martelos rotativos", explica Vázquez Tejeda Burgos.
O coronel destaca que o trabalho com máquinas pesadas é o mais demorado, pois é necessário quebrar concreto, vergalhões e vigas de forma precisa, o que permite descer até cinco ou seis metros, como aconteceu em um dos resgates realizados, quando retiraram um menor de um prédio que desabou.
"Cada dia é diferente porque, às vezes, é preciso usar duas equipes na mesma estrutura desabada devido ao tamanho do local e ao número de corpos que, sabemos por familiares ou moradores, estão presos lá dentro. Mas a operação de resgate continua. Quem pode, reveza-se sem grandes problemas, mas o deslocamento das equipes de resgate é constante", diz ele.


