A transição energética é imprescindível e está atrasada. A natureza já avisou e continua insistindo: parem de sobreaquecer o planeta! Não há um dia sem eventos climáticos com duras consequências. Agora a Europa sofre com calor excessivo, lamentando mais de mil mortes, principalmente na França.
O que significa dizer, parem de emitir gases de efeito estufa (GEEs), que retém raios solares além do necessário. Isto ocorre, entre outros motivos, pela queima de óleo diesel e gasolina em motores a combustão, no Brasil e no mundo. Os motores à combustão possuem somente em torno de 35% de eficiência, gerando muita poluição, incluindo os GEEs.
O melhor caminho é a substituição destes combustíveis por energia elétrica, a mais eficiente de todas as energias e praticamente sem poluição no seu uso, e com incontáveis usos, já está em toda a nossa vida. o motor elétrico é três vezes mais eficiente que o motor à combustão. A energia elétrica requer outra energia para a sua produção.
O petróleo continua sendo a modalidade energética mais usada no mundo, inclusive no Brasil. A natureza exige a substituição dos combustíveis fósseis.
Pelos dados atuais conhecidos, o consumo da energia no planeta está assim dividida:
- Petróleo – 30% – a principal energia nos transportes e indústria. Neste item precisam entrar mais os veículos elétricos nos transportes e gás natural, biometano e biocombustíveis na indústria;
- Carvão mineral – 28% – muito utilizado na geração de energia elétrica, onde precisa ser substituído, e na siderurgia;
- Gás natural – 23% – É um hidrocarboneto associado ao petróleo, porém gera poucos GEEs, quando usado apropriadamente. Nos motores à combustão também apresenta baixa eficiência. Na indústria é fator de produtividade;
- Fontes renováveis – hidráulica, biomassa, eólica, solar e geotérmica – 14%;
- Nuclear – 6% – é não renovável, depende do urânio, que é finito, mas não gera GEEs.
Pelo quadro acima, o mundo ainda consome mais de 80% de energias não renováveis. Ou seja, ainda temos muitos desafios a superar e caminhos a percorrer.
O melhor avanço está na geração de eletricidade de baixo carbono, renováveis e nuclear, que ultrapassa 40%, com destaque para os crescimentos de solar (29%) e eólica (7,9%).
O Brasil é referência mundial na geração de energia elétrica com recursos renováveis. Também poderá ser em transição energética.

Vejamos a situação brasileira, considerando os dados consolidados em 2025: energias renováveis e não renováveis estão praticamente empatados em torno dos 50%. Porém o petróleo continua fortemente dominante e representa em torno de 2/3 da emissão de GEEs nos grandes centros urbanos.
Somos referência mundial, percentualmente, entre os grandes países, na geração de energia elétrica com recursos renováveis, em torno de 90%. Em países com tamanho físico menor, o Paraguai usa 100% proveniente de hidrelétricas, e a Noruega, Dinamarca e Áustria próximo dos 100%. A Islândia gera 100% com recursos renováveis com hidrelétricas e geotérmica.
Como já vimos nos artigos anteriores, o petróleo, principalmente a partir dos anos 1900, estabeleceu uma era que continua dominante, mas que para nossa própria sobrevivência precisa ser superada.
Passou a influenciar as economias dos países e a vida das pessoas. Participou fortemente de todas as guerras e conflitos, dentro e fora do oriente médio, e sempre que isto ocorreu (e ainda ocorre) gerou desabastecimentos e aumento de inflação no mundo. Há uma enorme estrutura de produção, não apenas de veículos, a ser refeita em todos os países.
Há um significativo número de países cuja economia depende majoritariamente da produção e venda de petróleo, e que concentram mais de 80% de suas reservas mundiais. São os 11 membros da OPEP – Arábia Saudita, Irã, Iraque e Kuwait (Oriente Médio), Argélia, congo, Guiné Equatorial, Gabão, Líbia e Nigéria (África) e Venezuela (América do Sul). Outros países não integrantes da OPEP, mas cujas economias também dependem do petróleo são a Rússia, os Estados Árabes Unidos, Cazaquistão e Angola. Todos estes países terão que reorganizar completamente a sua economia.
O petróleo continuará tendo importância em outros usos, especialmente na petroquímica
O petróleo continuará tendo importância, como nos usos apropriados dos gases – GN e GLP -, lubrificantes e asfaltos, e principalmente na petroquímica que tende a crescer. Hoje não possuímos alternativas, e dificilmente teremos em quantidade necessária, para embalagens seguras de alimentos, medicamentos, usos hospitalares, carcaças de computadores, celulares, TVs e outros equipamentos, interiores de veículos, tecidos e borrachas sintéticas, fertilizantes e cosméticos. O que urgentemente precisamos aprender é reusar e reciclar todos os materiais plásticos usados, como sabem fazê-lo o Japão (vide comportamento dos jogadores e torcida japonesa na Copa do Mundo) e a Alemanha.
Precisamos mudar a nossa cultura. O pior entrave é o pensamento e as ações nazifascistas, que adotam o negacionismo, vide os EUA, que voltaram a incentivar o uso dos combustíveis fósseis.
Os combustíveis fósseis somente serão substituídos na medida que houver alternativas renováveis. Para entender, se hoje os combustíveis fósseis fossem completamente proibidos, o mundo pararia, somos dependentes dele.
A principal alternativa da transição energética são os veículos elétricos. Estamos muito lentos, atualmente ocupam apenas 4% da frota mundial.

O principal elemento da transição energética é a introdução de veículos elétricos. Estamos muito lentos. Os veículos elétricos e híbridos totais não ultrapassam os 4% da frota mundial. No Brasil ainda não alcançam 1%. As vendas atuais ultrapassam os 20%. O destaque é a China, que possui mais veículos elétricos e híbridos do que veículos a combustão e a maioria dos veículos novos vendidos são elétricos. A China é campeã mundial da produção e venda de veículos elétricos.
O Japão é destaque na produção e uso de veículos elétricos para cargas pesadas e longas com o uso de células de hidrogênio. São necessários esforços mais decisivos para superar as dificuldades.

Os principais entraves, que também incidem nos preços, está na fabricação de baterias, que depende da mineração e beneficiamento de lítio, além de cobalto, níquel e terras raras. Hoje, a China concentra em torno de 90% desta produção. É uma excelente oportunidade para o Brasil, que possui a segunda maior reserva de terras raras e metais estratégicos. No caso, precisamos fazer parcerias estratégicas para minerar e beneficiar estes elementos e produzir baterias.
O lítio também pode ser substituído por sódio e as próprias baterias podem ser substituídas por células de hidrogênio. O Brasil possui estas possibilidades. Os altos preços e os insuficientes locais de recarga precisam ser superados.
A transição energética precisa ser justa
Os principais países geradores de GEEs e poluição em geral precisam acelerar o passo, no caso os países ricos do primeiro mundo. O Planeta é o mesmo para todos, a nossa casa comum.
Os trabalhadores e as comunidades atingidas pelas atividades a serem extintas ou reduzidas precisam receber novas capacitações e oportunidades de trabalho e renda.
É o caso das regiões produtoras de carvão mineral, no RS e SC. Para este recurso mineral há outras importantes possibilidades como a geração de matérias primas para fertilizantes e adubos.
As energias alternativas precisam ter acesso universalizado, sob pena de concentração de renda e oportunidades.
O diálogo e o debate envolvendo a população é elemento fundamental de democracia e sucesso.
E a Petrobras, como está indo atualmente, com a transição energética? Em artigo próximo teremos que falar sobre isto!
**Este é um artigo de opinião e não necessariamente representa a linha editorial do Brasil de Fato.