O consumo de álcool está associado a milhões de mortes por ano em todo o mundo e, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), não existe dose segura para a ingestão da substância.
No Brasil, a legislação que completa 30 anos proíbe propaganda de bebidas com mais de 13% de teor alcoólico, abrindo brecha, portanto, para que a publicidade de cerveja continue. Por isso, uma campanha da ACT Promoção da Saúde batizada de “Cerveja também é álcool” tem por objetivo mudar a lei 9.294 para incluir a cerveja.
Em entrevista ao É de Manhã, da Rádio Brasil de Fato, Laura Cury, coordenadora do Projeto de Controle do Álcool da ACT Promoção da Saúde, explica que a lei de 1996 proibia a publicidade de produtos nocivos como o cigarro, alguns fármacos e a bebida foi incluída, porém o lobby da indústria fez com que a cerveja ficasse de fora.
“O Brasil é um grande produtor e consumidor de cerveja. Não dá para considerar que a cerveja não é nociva. E a lei acabou excluindo alguns desses produtos. O principal deles é a cerveja, mas não é o único. Também exclui alguns vinhos. E é uma lei que, inclusive, acaba não sendo coerente com outras peças de legislação que a gente tem no país, como, por exemplo, o beber e dirigir, que aponta que a tolerância é zero. Para isso, sim, acima de 0% é álcool, mas, para fins de restrição de publicidade e propaganda, é 13%”, critica.
Cury também destaca que, especialmente em eventos culturais e esportivos, como acontece agora na Copa do Mundo, a cerveja é bastante associada a valores como alegria e comemoração. “A gente vai festejar um momento de pertencimento e até de orgulho nacional. E é claro que em épocas como essa a gente quer mais é festejar mesmo. Acho que o questionamento realmente é um pouco se um produto que sabidamente não é inócuo é o melhor produto para a gente fazer isso. Acho que a gente poderia estar festejando de tantas outras maneiras e protegendo a saúde e o bem-estar da população”, defende.
Além disso, alerta a especialista, frases que acompanham o final de comerciais de bebida como “Beba com moderação” guardam um efeito bastante nefasto que é individualizar a questão. “A indústria investe milhões para estimular o consumo. Não dá também para você jogar toda a responsabilidade no indivíduo.”
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