O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), inaugurou, nesta quinta-feira (2), na capital, a Linha 6-Laranja do Metrô. No total, foram abertas seis das 15 estações previstas, no trecho entre a João Paulo I e a Perdizes.
Até o final de 2026, a operação chegará à Brasilândia. O restante, até São Joaquim, no centro, será somente inaugurado em 2027. As obras foram anunciadas em 2010.
A vereadora Sandra Santana (MDB) afirmou, durante a inauguração, que as estações mais distantes do centro ampliarão a acessibilidade da população. “A gente está falando de acessibilidade para uma população muito carente, para a qual até o ônibus tem dificuldade para chegar”, disse a vereadora. O sistema de ônibus é responsabilidade do município, hoje sob gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB), que também esteve presente na inauguração.
Nenhuma das estações inauguradas nesta quinta-feira faz baldeação com outras linhas da malha metroviária paulistana. Somente quando for totalmente concluída, a linha irá conectar a Brasilândia, na zona norte, ao centro, com integração às linhas 1-Azul, 4-Amarela e 7-Rubi do sistema metroferroviário.
Neste primeiro momento, a operação será assistida pela Agência de Transportes do Estado de São Paulo (Artesp) e funcionará de segunda-feira a sexta-feira, das 10h às 15h. Dois trens farão o percurso com intervalo médio de 19 minutos e condução manual. Cada estação terá apenas um acesso em funcionamento durante a fase inicial.
A Linha 6-Laranja inaugura um modelo contratual inédito no metrô paulista: uma PPP integral, em que a concessionária é responsável tanto pela implantação quanto pela operação. Isso significa que a PPP integral alinha, no mesmo contrato, a responsabilidade pela implantação e pela operação da linha. O contrato é de R$ 19 bilhões e tem duração de 30 anos.
No fim do ano passado, o governo do estado aprovou um aditivo de quase R$ 3,7 bilhões ao contrato para acelerar a construção. Logo depois, determinou o sigilo dos documentos relacionados ao aditivo. Como justificativa, a gestão de Tarcísio de Freitas informou que a gerência da Artesp, responsável pela análise dos documentos, conta com apenas um servidor, que não teria disponibilidade para avaliar os pedidos de acesso. A alegação ocorre apesar de a Artesp possuir cerca de 500 funcionários em seu quadro.
Sobre o assunto, Tarcísio afirmou que “alguns estão com dor de cotovelo, porque, por incrível que pareça, tem gente que reclama que a gente antecipou o cronograma”, disse. “É sério isso? É bom fazer operação parcial para a gente começar a pensar nos sistemas. Com as pessoas se acostumando, a gente já começa a ver o que vai sair. A gente já começa a apontar direção.”
O presidente do Sindicato dos Metroviários de São Paulo, Dagnaldo Gonçalves Pereira, questiona o aumento dos custos da obra, a falta de informações sobre os gastos, o modelo de parceria com a iniciativa privada e o planejamento da operação da linha.
Pereira também questiona se a antecipação da entrega pode comprometer a qualidade da obra. “Me estranha muito que você fale que vai ter um atraso e, se você me pagar a mais, eu consigo ter um atraso menor. Como é isso? Será que vai ter qualidade nisso? São perguntas que têm que ser respondidas. Eu acho muito estranho que o dinheiro compre tudo, mas um atraso de dois anos é, no mínimo, duvidoso.”
Às vésperas das campanhas
A entrega adianta o tom de campanha eleitoral não só do governador, que concorrerá à reeleição em outubro deste ano, mas de seus aliados. Pela legislação, os candidatos não podem comparecer a inaugurações de obras públicas nos três meses anteriores à eleição. Neste ano, o primeiro turno será no dia 4 de outubro. Logo, a partir do dia 4 de julho, Tarcísio não poderá participar da entrega das estações.
Na inauguração, o governador afirmou que não há como “as coisas darem certo” se a Prefeitura de São Paulo e o governo estadual não estiverem “conectados”. Ricardo Nunes é aliado de Tarcísio e apoiará a reeleição do governador contra o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT), que também disputará o governo do estado.
Nunes, por sua vez, endossou o tom de campanha em favor de Tarcísio. “Não há dúvida de que todos nós da nossa cidade reconhecemos o seu trabalho e vamos estar ao seu lado para continuar mais quatro anos ajudando em São Paulo”, concluiu Nunes.
O prefeito ainda cumprimentou publicamente o atual presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), André do Prado (PL), que concorrerá a uma vaga no Senado. Nunes afirmou que espera uma vitória para o deputado estadual, para que possa “dar continuidade e apoio” ao trabalho realizado pelo governador do Senado. O prefeito também fez votos para a vereadora Sandra Santana, pré-candidata a deputada estadual.