Ministro aponta que bolsonaristas seguem atrapalhando o Brasil em negociação sobre tarifaço dos EUA

Por Redação02/07/2026 às 19:390 visualizações

O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), Márcio Elias Rosa, afirmou nesta quinta-feira (2) que o Brasil segue sendo prejudicado pela atuação de bolsonaristas junto ao governo de Donald Trump, em meio às negociações para evitar uma taxação extra dos produtos brasileiros — o chamado tarifaço.

Elias Rosa informou que o governo brasileiro teve a quarta reunião de alto nível com o Representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, e deve realizar outra na próxima semana. O prazo de implementação do tarifaço é 15 de julho. Porém, ele afirmou que alguns “atropelos” provocados por terceiros estão atrapalhando as negociações.

Sem citar nomes, o ministro apontou a articulação de integrantes da família do ex-presidente Jair Bolsonaro, aqui no Brasil e nos Estados Unidos, como principal problema.

“O exemplo pode ser também a publicação por quem estava nos Estados Unidos, um ex-deputado federal, se dizendo autor, patrocinador do tarifaço. Ao mesmo tempo, alguém aqui no Brasil celebrando nas redes sociais o fato de ter sido imposto. Eles não são capazes de causar algum alvoroço, mas poluem o debate político ou colocam no debate, que é econômico e comercial, um componente político que não deveria estar”, afirmou.

O governo brasileiro trata a atuação dos bolsonaristas nos EUA como traição à pátria, motivada por interesses eleitorais. “Não cabe na mesa de negociação da economia, do comércio bilateral, questões ideológicas, eleitoreiras, pessoalmente oportunistas, isso não tem cabimento”, afirmou.

O titular do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços fazia referência aos filhos do ex-presidente: o deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro e o senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro.

Eduardo, inclusive, foi condenado a quatro anos e dois meses de reclusão, em regime semiaberto, pelo crime de coação no curso do processo. Os ministros da primeira turma do STF entenderam que ficou comprovado que ele atuou para interferir no julgamento da ação penal em que seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, foi condenado por tentativa de golpe de Estado, articulando para que o governo dos Estados Unidos impusesse sanções a autoridades brasileiras e medidas econômicas contra o país.

Apesar disso, Elias Rosa ressaltou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem reiterado que não se pode abandonar a mesa de negociação. “Quem defende o multilateralismo, como o Brasil, tem que saber lutar contra as barreiras que são impostas”, explicou.

As declarações foram dadas em coletiva de imprensa, no 1º Fórum Econômico da Transformação Ecológica Brasileira, promovido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), no Rio de Janeiro.

Tarifaço

O governo dos Estados Unidos anunciou em 1º de junho a conclusão da investigação comercial aberta contra o Brasil em 2025 e propôs a aplicação de uma nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros.

A investigação foi conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), que concluiu que políticas e práticas adotadas pelo Brasil seriam “irrazoáveis” e estariam restringindo ou onerando empresas estadunidenses. O órgão informou que abrirá uma consulta pública antes da publicação do relatório definitivo, prevista para 15 de julho.

“Os Estados Unidos continuam a manter negociações intensas com o Brasil em busca de uma solução para as preocupações americanas”, afirmou o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, em comunicado. Segundo ele, apesar de reuniões consideradas construtivas entre autoridades dos dois países, permanecem “divergências substanciais” sobre os temas investigados.

Entre os principais alvos do relatório estão o sistema de pagamentos Pix e a atuação do Judiciário brasileiro sobre plataformas digitais. O governo Trump acusa o Banco Central de favorecer o Pix em detrimento de empresas estrangeiras de pagamento eletrônico, especialmente operadoras de cartão de crédito dos Estados Unidos.

Fonte
Brasil de Fato
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