‘Ainda temos esperança de encontrar pessoas com vida’, diz coordenadora de Brigada do MST na Venezuela

Por Gabriela Carvalho02/07/2026 às 19:280 visualizações

O tempo desde os terremotos que arrasaram a Venezuela, deixaram 2.295 mortos, mais de 11 mil feridos e dezenas de milhares de desabrigados chegou a oito dias nesta quinta-feira (2). Embora cada vez seja mais difícil encontrar sobreviventes sobre os escombros, até o momento cerca de 6 mil foram resgatados. Um dos destaques desta quinta-feira (2) foi Hernán Gil Flores, de 44 anos, retirado com vida de um prédio em La Guaira após oito dias soterrado, o equivalente a cerca de 190 horas.

Ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, Rosana Fernandes, coordenadora da Brigada do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) na Venezuela, defende que é preciso celebrar a vida dos que foram resgatados em um ato conjunto de força e solidariedade internacional.

Pelo menos 31 países já enviaram equipes de resgate e outros auxílios humanitários, além de todo o serviço militar, bombeiros e outros serviços que são da própria Venezuela. Além de pessoas que usaram as próprias mãos para resgatar essas vidas. Ainda temos esperança de encontrar pessoas com vida, porque há bolsões sob os escombros, em especial, na região de La Guaira, onde havia hotéis e pousadas que desabaram cheios de turistas, já que o dia do terremoto era um feriado”, relata.

Fernandes conta que a brigada esteve em La Guaira, um dos locais mais afetados pelos abalos sísmicos, e outras regiões próximas onde “há um rastro de destruição”. Mesmo assim, destaca a militante do MST, é emocionante testemunhar a articulação e o objetivo comum de reconstruir o país e dar algum conforto à população.

“Há uma grande articulação, da sociedade civil, do governo, para garantir os abrigos temporários, que é uma passagem para uma nova habitação, mas não é possível prever quanto tempo isso vai levar. A gente tem conversado com pessoas com muito respeito, porque a situação é muito difícil. Tivemos a oportunidade de atuar em algumas inscrições para um abrigo em La Guaira, em uma área extrema localizada em uma região onde aconteceram os piores tremores, onde fica a comuna popular Hugo Chávez e onde viviam 6 mil famílias. Coletamos relatos de gente que havia esquecido o nome de filhos, que não sabia um número de telefone, crianças amedrontadas, situações bastante pesadas diante dessa realidade”, lamenta.

“As pessoas não querem sair de perto de onde moravam porque têm a esperança de ainda encontrar parentes que estão desaparecidos ou soterrados. O retorno para a casa ainda é um debate que está sendo colocado e ainda é muito difícil saber”, destaca Rosane Fernandes.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Fonte
Brasil de Fato
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