‘Educação domiciliar quer criar sociedade limitada à experiência dos pais’, afirma professor da USP

Por José Bernardes02/07/2026 às 23:461 visualizações

O pedido de urgência protocolado no Senado para apreciação do projeto que autoriza o homeschooling é uma estratégia para mobilizar a base ultraconservadora e reacionária da extrema direita em período eleitoral. Essa é a avaliação do colunista do Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, Daniel Cara, professor da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP).

O projeto de autoria do senador Magno Malta (PL-ES) autoriza o ensino domiciliar, que é criticado por especialistas por diversos fatores, entre eles, o risco de isolamento da criança — que pode colocá-la em uma dinâmica de violência sem que ninguém possa ajudar — e o impacto direto na socialização, bem como o tolhimento do papel da escola na formação dos estudantes, considerando que a educação é um direito constitucional.

“Essas bases têm como característica principal a articulação do fundamentalismo religioso, tanto do católico quanto do protestante, e o fato é que esse tipo de articulação tem grande penetração de votos. A questão real é que a educação domiciliar é uma anti-educação”, critica Cara, ao apontar a importância da socialização na formação de crianças e adolescentes.

Segundo ele, a responsabilidade dos pais é prover os filhos de experiências diversas que vão compor a formação deles como cidadãos. A escola é um espaço que não compete com a família, mas sim que amplia o repertório de vivência das crianças, tornando-o plural.

“A responsabilidade em termos educacionais é fazer com que eles tenham uma experiência superior, mais rica, com maior repertório, com outras referências, inclusive. Dando a chance a eles de construir a própria vida, do que ele deseja para a vida”, pontua.

Cara afirma que o homeschooling promove a ausência do pensamento crítico que as crianças e adolescentes poderiam desenvolver caso tivessem contato com a diversidade e troca de experiências. “A educação domiciliar quer transformar a sociedade em uma sociedade limitada à experiência dos pais.”

O educador defende que, caso o projeto seja aprovado, será necessário acionar o Judiciário para resolver o tema. “O Supremo Tribunal Federal (STF) precisará ter a honestidade intelectual de considerar aquilo que é: uma medida inconstitucional”, avalia.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Fonte
Brasil de Fato
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