UFG entrega ações estratégicas de combate a violência contra mulheres

02/07/2026 às 14:460 visualizações
UFG
Imagem do artigo

Instrução normativa, botão SOS e a Sala Lilás da Ouvidoria foram apresentadas no evento


Texto: Kharen Stecca e Caroline Pires

Fotos: Júlia Mariano

 

A Universidade Federal de Goiás tem buscado por meio de diversas ações a consolidação de uma rede de proteção à mulher na instituição. Dando continuidade a esse trabalho, no dia 2 de julho, em frente à Ouvidoria na Biblioteca Central do Campus Samambaia, ocorreu a cerimônia de entrega de ações estratégicas do programa "UFG pela Vida de Todas".  Entre as entregas foram realizados o lançamento de uma instrução normativa sobre procedimentos para servidoras em situação de violência, a inauguração da Sala Lilás na Ouvidoria de Mulheres e Questões de Gênero, a implementação do botão SOS no aplicativo Minha UFG e a entrega simbólica do Banco Vermelho na Biblioteca Central. Para a gestão, essas entregas simbolizam o fortalecimento de uma política institucional permanente que busca transformar a universidade em um ambiente de tolerância zero contra a violência e de acolhimento pleno para todas as mulheres. Confira as fotos do evento. 

Durante o evento, a reitora da UFG, professora Sandramara Matias Chaves, ressaltou que o projeto “UFG pela vida de Todas” proposto inicialmente, evoluiu para um programa permanente de gestão, visando consolidar uma rede de proteção que minimize a violência na instituição. Ela destacou que o aumento no número de denúncias registrado recentemente não indica necessariamente um aumento de casos, mas sim que as mulheres estão se sentindo encorajadas e acolhidas para romper o silêncio. A vice-reitora, professora Camila Cardoso Caixeta, reforçou que a política institucional deve ser pautada tanto na formação para relações respeitosas quanto na criação de instrumentos práticos de segurança.

A diretora de Mulheres e Diversidade, professora Marilúcia Pereira, enfatizou que o evento é parte de um trabalho contínuo e de um compromisso ético coletivo para tornar a UFG um espaço livre de violência e feminicídio. Ela destacou que a universidade não é uma "bolha", mas um centro de formação que reflete e deve transformar uma sociedade estruturalmente violenta, racista e machista. Representando a Controladoria Regional da União no Estado de Goiás (CGU Goiás), Iaci Pereira Castelo Branco ressaltou a histórica proximidade e a parceria técnica entre o órgão e a universidade em áreas como auditoria, corregedoria e integridade pública. Ela elogiou a evolução da infraestrutura da Ouvidoria e reafirmou o compromisso da CGU em fomentar e apoiar ações que promovam a transparência e a proteção aos direitos das mulheres na instituição.

A ouvidora-geral da UFG, professora Bruna Pinotti, enfatizou que a inauguração da Sala Lilás e a estruturação da Ouvidoria de Mulheres e Questões de Gênero são a realização de um "sonho compartilhado" por sua equipe. Ela destacou a recente aprovação do protocolo de acolhimento e tratamento de mulheres em situação de violência, assédio e discriminação, reforçando que o combate à desigualdade histórica exige respostas institucionais diferentes e estratégica. 

Um dos momentos de destaque foi a fala do secretário de Promoção da Segurança e Direitos Humanos, Elias Magalhães da Silva, que mostrou ao vivo o funcionamento do botão SOS. Ao acionar o dispositivo, Magalhães demonstrou como a central de monitoramento 24 horas recebe o chamado imediato, permitindo a localização exata da usuária e o envio de uma equipe motorizada, que conta com presença feminina para o atendimento. Na oportunidade a equipe foi apresentada aos presentes. O sistema que poderá ser baixado nas lojas de aplicativos de celulares, inclui também um chat para que a vítima possa se comunicar de forma discreta com a segurança em situações de risco iminente. 

A pró-reitora de Gestão de Pessoas, Maria Tereza Tomé de Godoy, detalhou a importância da nova instrução normativa, que dispõe sobre os procedimento para a aplicação da portaria conjunta, do Ministério de Gestão e Inovação de Serviços Públicos e Ministério das Mulheres nº 88, que garante sigilo absoluto e celeridade no atendimento a servidoras. Segundo ela, os protocolos permitem medidas urgentes, como a retirada imediata da servidora de seu ambiente de trabalho habitual caso o agressor conheça sua rotina, protegendo sua integridade física e psicológica. 

Ao final, as autoridades realizaram o descerramento de placa e a inauguração do Banco Vermelho, uma ação simbólica que integra a campanha nacional do Instituto Banco Vermelho e da Associação Nacional dos Docentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) contra o feminicídio. A instalação do banco na Biblioteca Central serve como um marco educativo e um lembrete visual constante do compromisso da UFG com a intolerância zero à violência contra a mulher, reforçando a importância da campanha para transformar a universidade em um ambiente seguro e acolhedor para toda a comunidade acadêmica.

 

Coordenadora da Ouvidoria, Bruna Pinotti, ressaltou aprovação do protocolo de acolhimento e tratamento de mulheres em situação de violência, assédio e discriminação
Coordenadora da Ouvidoria, Bruna Pinotti, ressaltou aprovação do protocolo de acolhimento e tratamento de mulheres em situação de violência, assédio e discriminação
Coordenadora da Ouvidoria, Bruna Pinotti, ressaltou aprovação do protocolo de acolhimento e tratamento de mulheres em situação de violência, assédio e discriminação

 

 

Sala Lilás

A coordenadora da Ouvidoria da UFG, professora Bruna Pinotti, considera que a implementação da Sala Lilás no atual espaço da Ouvidoria, permitirá que as servidoras ou estudantes tenham um espaço mais confortável para tratar sobre essas questões tão complexas, uma vez que o ambiente é totalmente isolado acusticamente. “As manifestações continuarão a ser registradas no FalaBR, contudo o protocolo de acolhimento foi aperfeiçoado para realizar esse tipo de atendimento”, explicou. Acerca do protocolo, a coordenadora da Ouvidoria afirmou: “O Protocolo de Acolhimento e Tratamento das Mulheres em Situação de Violência de Gênero, Assédio Moral, Assédio Sexual e Discriminação é executado pela Ouvidoria de Mulheres e Questões de Gênero da UFG e reconhece a violência de gênero como uma questão complexa, demandando a articulação junto a diversas áreas da universidade em busca da proteção integral da mulher”.

A sala lilás é uma das ações que buscam acolher cada vez melhor as mulheres que buscam a Ouvidoria
A sala lilás é uma das ações que buscam acolher cada vez melhor as mulheres que buscam a Ouvidoria
A sala lilás é uma das ações que buscam acolher cada vez melhor as mulheres que buscam a Ouvidoria

 

A Ouvidoria da UFG conta atualmente com três servidoras habilitadas para lidar com essas questões. “Além de atualização sobre o tema com cursos da Controladoria da União, a equipe possui formação específica com recorte em gênero. Caso seja necessário, eventuais colaboradoras também serão capacitadas antes de prestar qualquer tipo de atendimento”, frisou a coordenadora. 

Botão SOS no app Minha UFG

O botão SOS é um novo aplicativo que trata de demandas de segurança, hoje presentes no app minha UFG. Ele foi desenvolvido pela SDH em parceria com a Secretaria de Tecnologia e Informação (SeTI), por meio do Centro de Recursos Computacionais (Cercomp), Entendeu-se que seria adequado desenvolver o módulo Segurança, que já estava disponível, em um novo aplicativo mais moderno, interativo e com outras funcionalidades. “A ideia é que outras Instituições Federais de Ensino Superior também possam implementar em seus espaços as políticas e tecnologias que a UFG adotou. Esperamos que essa infraestrutura tecnológica, inclusive outros sistemas como o de videomonitoramento”, explicou Igor Rodrigues Vieira, secretário adjunto da SeTI. 

O projeto teve início em novembro de 2025 e foi pensado de maneira coletiva visando uma aproximação do usuário, que pode pertencer ou não à comunidade universitária da UFG. A primeira inovação solicitada foi a criação do Botão SOS, que quando pressionado por três segundos pelo usuário, cria automaticamente um chamado padrão com as coordenadas geográficas da pessoa. “Com esse chamado, a equipe de segurança é imediatamente acionada e se desloca para atender a solicitação. Isso acontece independente de qualquer detalhamento”, explicou. 

Uma segunda inovação foi a implementação da ferramenta de chat, momento em que é possível a interação direta entre o atendente da SDH. Além disso, passa a funcionar também a autenticação do usuário, “o aplicativo permite tanto a abertura de chamado identificado quanto anônimo, para que a pessoa possa abrir o chamado da maneira que se sinta mais confortável”, finalizou. Além de estar disponível para versão iOS e Android, o aplicativo também estará disponível na versão de uso em navegadores de computadores, o que facilita a utilização sem a necessidade de versões específicas.

 

Imagem do artigo

Na ocasião, foi inaugurado mais um Banco Vermelho

 

Imagem do artigo

Ao todo, 30% das vigilantes da UFG são mulheres

 

A sala lilás é uma das ações que buscam acolher cada vez melhor as mulheres que buscam a Ouvidoria
A sala lilás é uma das ações que buscam acolher cada vez melhor as mulheres que buscam a Ouvidoria

Sala Lilás irá colaborar para a acolhida na UFG

Esta notícia foi útil?

Debates 0

Seja o primeiro a contribuir com o debate.

Difunda suas informações e promova seu argumento

Não se acanhe de publicar alguma informação ou dado que possa ser positivo ou útil.

Para participar do debate, entre com sua conta ou crie uma gratuita.