Povo que viveu nos Andes 500 anos antes dos Incas revela rituais submersos e templos perdidos (FOTOS)

05/07/2026 às 12:030 visualizações
Sputnik Brasil
O Império Inca costuma ser visto como a grande civilização dos Andes, mas pesquisas arqueológicas mostram que, séculos antes, o Estado Tiwanaku já havia estabelecido uma sociedade complexa na região do lago Titicaca, embora com população estimada entre apenas 10 mil e 20 mil pessoas. Fragmentos materiais encontrados ao longo das últimas décadas ajudam a reconstruir parte dessa história perdida.
Uma das descobertas mais importantes surgiu em 2019, quando arqueólogos identificaram evidências de oferendas rituais submersas no recife de Khoa, perto da Ilha do Sol, na Bolívia. O achado indica que práticas religiosas estruturadas existiam na região muito antes da ascensão inca, contrariando interpretações tradicionais sobre a cronologia espiritual dos Andes.
© Foto / Teddy SeguinUm pesquisador mergulhando no sítio Tiwanaku.
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Um pesquisador mergulhando no sítio Tiwanaku.
© Foto / Teddy SeguinUm mergulhador com uma tigela recuperada do sítio arqueológico de Tiwanaku.
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Um mergulhador com uma tigela recuperada do sítio arqueológico de Tiwanaku.
© Foto / Teddy SeguinArtefatos descobertos no sítio arqueológico de Tiwanaku. Entre eles estão queimadores de incenso de cerâmica em forma de felinos; lhamas jovens sacrificadas; e ornamentos de ouro, conchas e pedras.
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Artefatos descobertos no sítio arqueológico de Tiwanaku. Entre eles estão queimadores de incenso de cerâmica em forma de felinos; lhamas jovens sacrificadas; e ornamentos de ouro, conchas e pedras.
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Um pesquisador mergulhando no sítio Tiwanaku.
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Um mergulhador com uma tigela recuperada do sítio arqueológico de Tiwanaku.
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Artefatos descobertos no sítio arqueológico de Tiwanaku. Entre eles estão queimadores de incenso de cerâmica em forma de felinos; lhamas jovens sacrificadas; e ornamentos de ouro, conchas e pedras.
Segundo o antropólogo José Capriles, da Penn State, os Tiwanaku — ativos entre 500 e 1100 d.C. — foram os primeiros a depositar objetos valiosos para divindades locais. A equipe utilizou sonar e fotogrametria 3D para mapear o recife e, ao dragar o sedimento, encontrou queimadores de incenso em forma de puma, além de ornamentos de ouro, conchas e pedra.
O puma, símbolo central da iconografia tiwanakota, aparece associado a medalhões de ouro com rostos radiantes, possivelmente ligados à figura mítica conhecida como Viracocha. As peças, datadas entre os séculos VIII e X, parecem ter sido deliberadamente submersas, possivelmente durante cerimônias realizadas em embarcações, como sugerem âncoras encontradas próximas às oferendas.
Além dos artefatos, os pesquisadores identificaram ossos de peixes, anfíbios e aves, provavelmente depositados naturalmente. Mas quatro lhamas jovens sacrificadas chamaram atenção: seus restos foram enterrados no lago como parte de rituais elaborados, reforçando a sofisticação religiosa e política do Estado Tiwanaku.
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Ciência e sociedade
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Para os autores, as cerimônias em Khoa revelam não apenas devoção, mas também demonstração de poder por elites que controlavam rituais complexos envolvendo sacrifícios, iconografia divina e ostentação de riqueza. Esses elementos sugerem uma sociedade em expansão, capaz de estabelecer redes de contato com outros grupos andinos.
Pesquisas posteriores analisaram mais artefatos do lago, ampliando o entendimento sobre a cultura tiwanakota.
Em 2023, outra descoberta reforçou essa visão quando ruínas de um grande templo, chamado Palaspata, foram identificadas no topo de uma colina boliviana, a mais de 200 km do centro de Tiwanaku, em um ponto estratégico que conectava rotas comerciais essenciais.
A equipe acredita que o templo desempenhava papel central na articulação territorial do Estado Tiwanaku, evidenciando que essa sociedade pré-inca possuía organização política, religiosa e econômica muito mais complexa do que se imaginava, deixando marcas profundas na história dos Andes antes da chegada dos Incas.
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