A Rússia realizou, nesta segunda-feira (6), um ataque contra Kiev e outras regiões da Ucrânia em resposta ao que chamou de agressões do governo ucraniano contra infraestrutura civil em território russo. A ofensiva ocorreu na véspera da cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) na Turquia e, segundo autoridades ucranianas, deixou pelo menos 18 mortos e dezenas de feridos na capital e na região de Kiev. A Otan é a principal aliança política e militar intergovernamental no mundo.
O Ministério da Defesa da Rússia informou que utilizou armas de precisão de longo alcance lançadas por terra, mar e ar, além de drones, para atingir instalações da indústria militar, do setor de energia e de combustíveis em Kiev. O comunicado afirma que também foram atacadas estruturas de aeródromos militares nas regiões de Dnipropetrovsk, Poltava, Cherkasy, Chernihiv e Kiev e que todos os alvos previstos foram atingidos.
Segundo o ministério, os ataques atingiram empresas ligadas à produção de drones, equipamentos eletrônicos, veículos blindados, sistemas de proteção, embarcações militares, sistemas de navegação e equipamentos utilizados pelas Forças Armadas da Ucrânia. Na região de Kiev, também foram atingidos um complexo voltado à produção e manutenção de sistemas de defesa antiaérea e um depósito de combustíveis utilizado para abastecimento das operações militares.
A pasta afirmou que a ofensiva foi uma resposta aos ataques realizados pela Ucrânia contra instalações civis na Rússia. Segundo o governo russo, o país também responderá caso os aliados ocidentais ampliem o fornecimento de armas para Kiev.
“O desejo dos patrocinadores ocidentais do regime de Kiev de aumentar os suprimentos […] será neutralizado com um incremento adequado na quantidade e na potência dos ataques de represália das Forças Armadas da Federação da Rússia contra o território da Ucrânia”, disse a pasta em comunicado.
O ministério informou ainda que a Ucrânia lançou 625 drones de longo alcance contra território russo entre a noite de sábado (4) e a madrugada de domingo (5) e que 613 deles foram abatidos pelas forças russas.
As autoridades ucranianas afirmaram, por sua vez, que o ataque abriu uma cratera em um edifício residencial de vários andares em Kiev e destruiu parte da estrutura. Jornalistas da AFP relataram ter ouvido mais de dez explosões durante o alerta para mísseis balísticos.
Anna Misko, de 36 anos, contou que uma explosão atingiu o prédio onde mora, no bairro de Pozniaki. “Tenho um filho e sempre descemos para o térreo.” Ela afirmou que desta vez sobreviveu “por milagre” porque os primeiros andares do edifício foram destruídos.
No distrito de Podilski, Oleksandr Bakhlukov relatou os momentos vividos durante o ataque. “Às 1h30, aconteceu um impacto muito forte. Uma onda expansiva, todas as janelas voaram. E depois atacaram mais três vezes.” Ele afirmou que “pedaços de vidro caíram por todos os lados. Não sobrou uma janela de vidro no apartamento”.
O presidente da Ucrânia, Vladimir Zelensky, afirmou que as forças ucranianas interceptaram drones e mísseis de cruzeiro russos, mas disse que o país tem “um fornecimento insuficiente de mísseis interceptadores” para enfrentar os mísseis balísticos utilizados pela Rússia.
Ele também pediu que os aliados reforcem o envio de sistemas de defesa aérea antes da cúpula da Otan. “É de importância crucial que o mundo e, sobretudo, os Estados Unidos e nossos parceiros europeus saiam da cúpula da Otan em Ancara com decisões firmes em apoio à nossa defesa aérea e, portanto, à proteção da vida”, disse.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que o ataque demonstra que a Ucrânia precisa “com urgência” de mais sistemas de defesa aérea e disse que o tema será discutido durante a reunião da Otan.
Na Crimeia, o governador nomeado por Moscou, Mikhail Razvozhayev, informou que Sebastopol ficou sem energia “após um ataque inimigo contra a infraestrutura de energia perto de Sebastopol”.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deve se reunir com Zelensky durante a cúpula da Otan para discutir a guerra iniciada em 2022. Trump também deve conversar com o presidente russo, Vladimir Putin, em uma tentativa de retomar os esforços por um acordo de paz.
