O grafiteiro, rapper e militante da cultura Hip Hop do Distrito Federal, Rivas Álibi morreu neste domingo (5), vítima de câncer, aos 56 anos. Reconhecido como um dos pioneiros do rap e do grafite em Brasília, Rivas era multiartista e dedicou mais de quatro décadas ao fortalecimento da cultura urbana, tornando-se uma referência para diferentes gerações de artistas e coletivos das periferias do Distrito Federal.
Há pouco mais de um ano, Rivas fundou a Casa do Hip Hop Ceilândia DJ Jamaika, batizada em homenagem ao irmão, falecido em 2023. O espaço é dedicado à formação de jovens com oficinas de DJ, rimas, esporte, entre outras atividades. Entusiasta da educação por meio da cultura Hip Hop, Rivas exaltou a potência do movimento em um vídeo publicado no dia 4 de abril, em que comenta a assinatura da Portaria que cria Escola Nacional de Hip Hop, programa que utiliza elementos da cultura hip hop (breaking, grafite, DJ e MC) como ferramentas pedagógicas na educação básica, promovendo inovação curricular e respeito à diversidade.
“Dediquei quatro décadas da minha vida para esse movimento e ver o MEC [Ministério da Educação] e o Ministério da Cultura validando toda a nossa pedagogia é uma prova de mostrar que a gente sempre esteve certo, tá ligado? O rap é a música mais escutada mundialmente. O grafite tomou conta do design, das galerias e das ruas, e não só da periferia. O breaking, com sua evolução, hoje é uma modalidade olímpica, e o DJ sempre foi a base de toda essa cultura. O desafio agora é transformar essa potência cultural em uma oportunidade concreta de trabalho e de futuro”, afirmou o artista.
A notícia da morte de Rivas Álibi provocou manifestações de pesar e homenagens de artistas, coletivos e lideranças políticas. “Hoje o Hip Hop perde uma de suas lendas. Nós perdemos um amigo”, escreveu o grupo de rap Atitude Feminina, destacando a parceria construída ao longo dos anos.
Já o grupo Tribo da Periferia definiu Rivas como uma inspiração para gerações e um dos responsáveis por fortalecer o Hip Hop e marcar a história do rap produzido em Brasília. “Seu legado, sua história e tudo o que você representou seguirão vivos na memória de quem teve o privilégio de conhecer você, sua arte e sua trajetória”, publicou o grupo.
Em nota, o Jovem de Expressão destacou que Rivas foi um dos grandes nomes do grafite e da cultura Hip Hop do Distrito Federal, ressaltando sua criatividade, generosidade e compromisso com a transformação social por meio da arte. “Seu legado seguirá vivo em cada traço, em cada mural e em cada pessoa que teve sua caminhada inspirada por sua arte”, afirmou a organização.
O deputado distrital Max Maciel (Psol-DF) lamentou a perda e relembrou a trajetória de Rivas ao lado da juventude negra e periférica. “Foram mais de 40 anos de vida em prol do movimento. Foi uma honra trilhar caminhos ao seu lado, reconhecendo e homenageando toda a sua trajetória em vida”, declarou. O parlamentar também manifestou solidariedade aos familiares, especialmente à esposa, Jane, e ao filho, Ravel.
“Perder o Rivas dói. Uma das melhores almas que Ceilândia já produziu. Integridade, alegria, cultura, Hip-Hop. Gente boa do jeito que raramente se encontra”, apontou o deputado federal e ex-governador do DF Rodrigo Rollemberg (PSB-DF).
Nas redes sociais, a Casa do Hip Hop Ceilândia DJ Jamaika destacou a importância de sua trajetória para a cultura urbana. “A cultura Hip Hop se despede hoje de uma de suas vozes mais autênticas. Rivas Álibi parte, mas deixa um legado que jamais será silenciado. Mais do que um artista, foi uma referência para gerações, um cronista das ruas e um dos nomes que ajudaram a construir a identidade do rap nacional.”
Até o momento, não foram divulgadas informações sobre o velório e o sepultamento de Rivas Álibi.
Apoie a comunicação popular no DF:
Faça uma contribuição via Pix e ajude a manter o jornalismo regional independente. Doe para [email protected]
Siga nosso perfil no Instagram e fique por dentro das notícias da região.
Entre em nosso canal no Whatsapp e acompanhe as atualizações.
Faça uma sugestão de reportagem sobre o Distrito Federal, por meio do número de Whatsapp do BdF DF: 61 98304–0102
