A assinatura de um termo de cooperação entre o Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) e a Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul (Unijuí) vai ampliar uma pesquisa que busca compreender os fatores que levam à violência doméstica e feminicídios no estado. A iniciativa pretende reunir informações que ajudem a identificar situações de risco e a orientar políticas públicas voltadas à prevenção da violência contra as mulheres.
O estudo, desenvolvido pela Unijuí em parceria com a Secretaria Estadual de Sistemas Penal e Socioeducativo, já ouviu 140 homens presos por violência doméstica no sistema prisional gaúcho. A pesquisa busca traçar o perfil desses autores e compreender os padrões culturais, sociais e comportamentais que contribuem para a ocorrência da violência, com foco na prevenção da reincidência.
Agora, o projeto vai ser ampliado. Com a assinatura do termo de cooperação com o MPRS, as pesquisadoras passarão a investigar também a trajetória das vítimas. Essa nova etapa prevê a escuta de familiares de mulheres vítimas de feminicídio para compreender os contextos que antecederam os crimes e identificar fatores que possam indicar risco de escalada da violência. A proposta é produzir conhecimento que permita intervenções mais precoces e eficazes.
A nova etapa incorpora a experiência do projeto Pedros e Marias, do MPRS, que oferece acolhimento humanizado à vítimas indiretas de feminicídio.
O estudo vai ser feito de forma regionalizada. A subprocuradora-geral de Justiça para Assuntos Institucionais, Alessandra Moura Bastian da Cunha, explica que essa análise detalhada é fundamental para traçar ações assertivas. “Os contextos de feminicídio dentro do Rio Grande e do Sul são diferentes. Então a gente precisa olhar para esse contexto regional e ali oferecer alguma ação que possa, de fato, ser efetiva para reduzir os índices de violência, especialmente de feminicídios”, afirma.
Para a professora Joice Nielsson, do programa de pós-graduação em Direito na Unijuí, o projeto vai ajudar na prevenção. De acordo com ela, a intenção é identificar fatores preditivos para que, de forma mais eficaz, se possa agir antes que a escalada letal da violência aconteça.
O trabalho é feito em parceria também com o Centro de Apoio Operacional de Enfrentamento à Violência contra a Mulher (CAOEVCM) e o Centro de Apoio Operacional Criminal e de Acolhimento às Vítimas. A coordenadora do CAOEVC, Ivana Battaglin, esteve presente na assinatura do termo, ocorrida na sede do MPRS.




