‘Misto de devoção e ato político’: Funeral de Khamenei vira palco de protestos contra Trump e Netanyahu

Por Larissa Bohrer07/07/2026 às 00:220 visualizações
Funeral do líder supremo do Irã, Ali Khamenei, morto em ataque dos Estados Unidos e de Israel em fevereiro deste ano
Funeral do líder supremo do Irã, Ali Khamenei, morto em ataque dos Estados Unidos e de Israel em fevereiro deste ano
Brasil de Fato

Uma multidão de milhões de iranianos tem participado do cortejo fúnebre do líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, pelas ruas de Teerã, que começou no sábado (4) e deve durar sete dias. Khamenei foi assassinado durante os ataques dos Estados Unidos e Israel contra o país em 28 de fevereiro deste ano, iniciando um conflito que se arrasta até hoje.

Além de prestar homenagens a Khamenei, a multidão também aproveitou para protestar contra o governo Donald Trump e o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. O secretário de Segurança Nacional do Irã, Mohammad Baqer Zolqadr, afirmou que a população clama por “resistência e vingança“. 

O economista e diretor-geral do portal Opera Mundi, Tom Altman, acompanhou o rito e avalia, ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, que é um evento de grande importância geopolítica. “Foi um misto de devoção religiosa e também um encontro político de uma população que está se defendendo de um ataque estrangeiro. Eu, pessoalmente, nunca tinha participado de um evento de tal magnitude. Foram mais de 11 milhões de pessoas aqui nas ruas de Teerã. Vale lembrar que essa não é a única cidade onde haverá homenagens ao líder supremo aiatolá Khamenei”, relata.

Os cortejos devem acontecer em outras cidades do país persa e o corpo deve seguir para uma região xiita no Iraque, onde também haverá homenagens. “Foi um evento não só de despedida, mas também de confirmação desse posicionamento geopolítico que Teerã tem oferecido aqui na região, aqui no Oriente Médio”, avalia.

Altman destaca que a presença massiva da população desconstrói a narrativa sionista-estadunidense de que o governo do Irã não tem apoio popular. O economista lembra que, semanas antes dos ataques, a propaganda ocidental era de que a população como um todo estava nas ruas contra o governo.

“Eu não sei qual a parcela da população que é contrária ao regime, mas posso te garantir que, após o início do conflito, a população passou a apoiar o seu governo de maneira praticamente unânime. O sentimento aqui nas ruas de Teerã é de defesa do país, de defesa do regime islâmico e até uma sensação de vitória. Isso foi bastante interessante de observar pessoalmente. Conversei com algumas pessoas, que, eventualmente, estavam descontentes com algumas questões, alguns detalhes das leis do regime iraniano, passaram a apoiar quase que 100% todas as ações do governo até que o conflito fosse resolvido”, destaca Tom Altman.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Fonte
Brasil de Fato
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