Historiador diz que EUA e Rússia já superaram crises profundas e podem reconstruir relações

07/07/2026 às 02:330 visualizações
Sputnik Brasil
"A desconfiança mútua hoje é muito grande. Mas a história oferece diversos exemplos de superação desse cenário, como as relações entre Stalin e Roosevelt após o Pacto Molotov-Ribbentrop, entre Kennedy e Khrushchev depois da Crise dos Mísseis de Cuba, em 1962, e entre representantes da diplomacia pública dos Estados Unidos e da União Soviética na década de 1980, apesar da guerra no Afeganistão", afirmou.
Na avaliação do historiador, um dos mitos mais prejudiciais na relação entre os dois países é a crença de que um deles pode influenciar os processos políticos internos do outro.
"Muitas pessoas, em ambos os países, superestimaram sua capacidade de influenciar positivamente o curso dos acontecimentos no outro país. Isso frequentemente levou à frustração e ao ressentimento", disse Foglesong.
A declaração foi feita às vésperas das comemorações pelos 250 anos da independência dos Estados Unidos, celebrada tradicionalmente em 4 de julho, data da adoção da Declaração de Independência, na Filadélfia.
O historiador também lembrou que um dos pais fundadores dos Estados Unidos, Thomas Jefferson, chegou a definir a Rússia, em sua época, como a nação mais amistosa em relação aos norte-americanos.
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Relações entre Trump e Putin

Após um longo período de distanciamento entre Moscou e Washington durante o governo do ex-presidente norte-americano Joe Biden, o retorno de Donald Trump à Casa Branca marcou a retomada dos contatos diretos entre os líderes das duas potências — incluindo o encontro presencial no Alasca, no ano passado, quando Trump e o presidente russo Vladimir Putin discutiram temas como o conflito ucraniano e as relações entre os países.
O último contato ocorreu no sábado (4), quando Trump e Putin conversaram por telefone. Em entrevista à Sputnik, o internacionalista mexicano Carlos Manuel López Alvarado afirmou que a situação demonstra que Washington reconhece que a Rússia continuará sendo um ator central na arquitetura de segurança europeia.
Segundo o analista, ao voltar a ouvir a posição de Moscou sobre a Ucrânia e a escalada promovida por Kiev e seus aliados europeus, os Estados Unidos admitem, na prática, que qualquer acordo de paz duradouro e sustentável precisará levar em conta as garantias de segurança reivindicadas pela Rússia.
"Ouvir Moscou não significa que os Estados Unidos tenham aderido completamente à visão russa, mas permite reconhecer que o país é e continuará sendo um ator central na arquitetura de segurança da Europa, goste ou não Washington", afirmou.
Para López Alvarado, o diálogo entre Putin e Trump também pode ser interpretado como uma tentativa da Casa Branca de recuperar margem de manobra nas negociações e abrir espaço para uma solução mais diplomática para o conflito.
O especialista acrescentou que o fato de a conversa ocorrer poucos dias antes da cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) sugere uma reconfiguração das prioridades estratégicas dos Estados Unidos. Embora isso não represente um rompimento com a aliança militar, indica uma mudança de abordagem.
"Trump tem sido constante ao questionar o custo que representa para os Estados Unidos sustentar a segurança europeia", concluiu.
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