Conforme publicado pelo portal UOL, o documento, assinado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, aponta que esse tipo de classificação pode ter impacto na vida de todos os brasileiros, em áreas que passam por economia, migração e até no setor jurídico, assim como interferência militar no Brasil.
"A designação pode servir para que autoridades estadunidenses apliquem medidas administrativas e judiciais de caráter unilateral e extraterritorial contra pessoas, empresas ou organizações brasileiras. [...] Há a possibilidade do uso da força militar dos Estados Unidos em território brasileiro."
Ainda de acordo com o Itamaraty, os Estados Unidos ainda não comunicaram formalmente ao Brasil sobre essa classificação de CV e PCC, o que impede ações diplomáticas. No entanto, Vieira ressaltou que o governo Lula tem externalizado publicamente contrariedade à designação norte-americana.
"O governo brasileiro tem reiterado sua posição de que tal classificação não traz benefícios concretos ao combate ao crime organizado, e vem buscando reforçar o diálogo bilateral para incrementar a cooperação na matéria, com base no respeito ao Estado de Direito e à soberania nacional."
Em 28 de maio, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que o Departamento de Estado havia designado CV e PCC como grupos "terroristas globais especialmente designados".
Pelas redes sociais, o secretário afirmou que as organizações são as mais violentas do Brasil e que sua influência chega até os EUA.
"Hoje classifiquei essas organizações como organizações terroristas estrangeiras [FTO, na sigla em inglês] e terroristas globais especialmente designados [SDGT, na sigla em inglês]. O governo Trump continuará usando todas as ferramentas disponíveis para proteger nossos interesses de segurança nacional e negar financiamento e recursos aos narcoterroristas."


