Moscou se 'torna' hub de inovação ao sediar Conferência Acadêmica Temática do BRICS (VÍDEOS)

06/07/2026 às 15:130 visualizações
Sputnik Brasil
A reportagem da Sputnik Brasil esteve presente e entrevistou Victoria Panova, chefe do BRICS Expert Council Russia (Conselho de Especialistas do BRICS da Rússia, em tradução livre), que enfatizou a importância do simpósio em um momento em que o avanço da tecnologia se faz presente cada vez mais na política internacional, principalmente a inteligência artificial (IA).

"Quando falamos de IA, no ano passado, durante nossa primeira presidência do BRICS, tivemos esta declaração adotada, que é uma decisão do grupo para mostrar o que consideramos mais importante nesta área. Então, os padrões agora são os principais fatores para definir qual é o lugar de cada país", disse.

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Panova também ressalta que, historicamente, esse tipo de tecnologia sensível era usado por países ocidentais como forma de projetar a sua influência e seus padrões. No entanto, o BRICS acaba sendo uma alternativa para um desenvolvimento sustentável no setor.

"Porque antes éramos fortemente influenciados pelo Ocidente. Na maior parte do tempo, apenas seguíamos as regras e os padrões dele. Mas agora o BRICS está se tornando um formulador de regras. Isso é importante, e é isso que o BRICS está fazendo", comenta.

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Participação brasileira

A programação do simpósio contou com três eixos temáticos: "Cruzando continentes: conectividade resiliente", "Corredores de cooperação: protegendo cadeias de suprimentos críticas" e "Altas tecnologias e IA: perspectivas para a cooperação do BRICS". Neste último, Walter Desidera Neto, pesquisador brasileiro e coordenador de estudos em relações econômicas do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), participou remotamente e, em sua fala, elencou alguns desafios que precisam ser superados.

"Os especialistas brasileiros convergem sobre a questão de infraestrutura digital e soberania tecnológica e apontam para o investimento compartilhado em supercomputadores, redes de alta velocidade e computação em nuvem como prioridades, ao lado da governança de dados e da cooperação em ciência e educação. A escassez de talentos e de mão de obra qualificada reflete-se no sistema como desafios comuns a todos os membros", destaca.

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Desidera também ponderou que, no âmbito do BRICS, Pequim e Moscou se destacam no avanço tecnológico pleno, enquanto, em sua análise, os demais Estados que compõem o agrupamento ainda estão em fase inicial de desenvolvimento interno.

"Se olharmos para as estratégias nacionais de IA dos membros do BRICS, apenas a China e a Rússia buscam uma soberania tecnológica de espectro total, desde chips até algoritmos, com investimento constante em pesquisas. A maioria ainda está em um estágio inicial, focada menos na inovação autônoma e mais na adoção da IA para melhorar os serviços públicos, a saúde, a segurança e a educação", observa.

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Integração tecnológica entre os países como objetivo

A conferência também contou com a participação de Pavel Knyazev, embaixador extraordinário do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia e sous-sherpa da Rússia para o BRICS, que, em seu discurso, reforçou a necessidade de discutir cooperação diante de um cenário de tensões geopolíticas e também projetou que a Cúpula do BRICS deste ano, a ser realizada na Índia, terá muitos resultados positivos.

"Diante da crescente turbulência global, as expectativas em relação ao nosso grupo estão cada vez mais altas. Os países-membros já sediaram com sucesso mais de 100 eventos preparatórios, incluindo reuniões de conselheiros de segurança nacional e de ministros das Relações Exteriores, Justiça, Saúde, Energia e Agricultura. Temos certeza de que a cúpula do BRICS, em setembro, trará resultados tangíveis", conclui.

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O desenvolvimento tecnológico exige investimentos robustos em pesquisa. Em um mundo interconectado e multipolar, a cooperação torna-se indispensável e, no âmbito do BRICS, esse tipo de parceria ganha escala ao convergir diretamente com os conceitos do multilateralismo.
Fonte
Sputnik Brasil
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