Cuba tem restabelecimento gradual de energia em meio a cerco energético dos EUA

Por Redação07/07/2026 às 14:420 visualizações
Bloqueio energético dos EUA tem levado Cuba a sucessivos apagões
Bloqueio energético dos EUA tem levado Cuba a sucessivos apagões
Brasil de Fato

Cuba restabelece de forma gradual o fornecimento de energia elétrica após um novo apagão que atingiu todo o país nesta segunda-feira (6). A crise energética ocorre em meio ao bloqueio petroleiro imposto pelos Estados Unidos, que dificulta a chegada de combustível à ilha e agrava a situação do sistema elétrico. 

Segundo a Empresa Elétrica de Havana, foram restabelecidos os “circuitos de distribuição que beneficiam 262.369 clientes (…) 30,4% na cidade”. A empresa informou que “o restabelecimento acontece de forma gradual, à medida que as condições permitem” e destacou a retomada do fornecimento para os serviços “vitais de saúde” em 43 centros de atendimento médico da capital.

O apagão ocorreu após o “desligamento total” do Sistema Eletroenergético Nacional. A estatal União Elétrica de Cuba informou que iniciou os trabalhos de recuperação com o restabelecimento de uma unidade da usina de Energás Boca de Jaruco.

O diretor de Eletricidade do Ministério de Minas e Energia, Lázaro Guerra, afirmou que a falta de combustível “dificulta, indiscutivelmente, o processo de restabelecimento” da energia.

O presidente Miguel Díaz-Canel responsabilizou as sanções dos Estados Unidos e escreveu na rede X que “enquanto os Estados Unidos tentam induzir uma explosão social por asfixia, ao bloquear os acessos de combustível a Cuba, a UNE (União Elétrica de Cuba) se mobiliza”. Em outra publicação, acrescentou ser “heroico o que os funcionários fazem em meio a um bloqueio energético genocida”.

Este foi o terceiro apagão nacional em seis meses e o oitavo desde o fim de 2024. Cuba enfrenta cortes de energia que chegam a 20 horas por dia em diferentes regiões do país. O país depende principalmente de sete usinas termelétricas e de geradores abastecidos com diesel importado.

Sessão na ONU

Cuba leva à Organização das Nações Unidas (ONU), nesta terça-feira, uma denúncia contra o cerco energético dos Estados Unidos. A iniciativa ocorre em meio à acusação de que o governo estadunidense tenta impedir que o tema seja debatido no organismo internacional.

O chanceler Bruno Rodríguez afirmou, em suas redes sociais, que o governo de Donald Trump “tenta impedir que a Assembleia Geral da ONU se pronuncie, pressiona governos e busca coagir a vontade soberana dos Estados membros”.

Rodríguez afirmou ainda que Cuba defenderá o “direito soberano de viver sem cerco energético, sem asfixia externa, sem coerção, sem ameaças de um banho de sangue, sem um castigo coletivo”. Também escreveu que “Cuba não é uma ameaça, mas o bloqueio sim”. Segundo ele, nos últimos quatro meses apenas um navio com combustível chegou ao país. 

Impactos na saúde

A crise também afeta o sistema de saúde e outros serviços. A vice-ministra da Saúde Pública, Carilda Peña García, afirmou que mais de 10 mil pacientes aguardam por cirurgias no país, entre eles mais de cinco mil que necessitam de procedimentos relacionados a doenças oncológicas. De acordo com García, cerca de 2.900 pacientes em hemodiálise também enfrentam dificuldades para manter os tratamentos por causa das falhas no fornecimento de água e energia elétrica.

Entre março de 2024 e fevereiro de 2025, os prejuízos provocados pelo bloqueio no setor da saúde ultrapassaram 288 milhões de dólares. “São cifras que se traduzem em hospitais sem recursos, consultas suspensas e tratamentos que deixam de chegar a quem mais precisa”, afirmou García.

Nas palavras dela, “o setor precisou adotar uma série de medidas de reengenharia para amenizar a situação. A premissa é não fechar nenhuma unidade de saúde, manter os serviços na medida do possível e utilizar da forma mais eficiente os recursos disponíveis”.

A autoridade afirmou ainda que “os pacientes crônicos necessitam de consultas de acompanhamento, exames diagnósticos e processos de reabilitação. Hoje isso não é possível para todos. Tratamentos que poderiam ser prolongados para proporcionar uma melhor qualidade de vida já não podem ser realizados.”

Outro relatório divulgado em Cuba informa que a taxa de sobrevivência de crianças com câncer caiu de 85% para 65%. O documento também aponta falta de medicamentos, atrasos em cirurgias, interrupções no programa nacional de imunização e escassez de insumos para a produção de remédios. Segundo o relatório, dos 395 medicamentos produzidos no país, 300 deixaram de ser distribuídos por falta de componentes.

A ONU apresentou um Plano de Ação Ampliado para reduzir os efeitos da crise energética em Cuba. O programa prevê investimento de 94,1 milhões de dólares para manter serviços essenciais destinados a cerca de 2 milhões de pessoas em oito províncias.

Fonte
Brasil de Fato
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