O porta-voz da presidência russa, Dmitry Peskov, declarou nesta terça-feira (7) que Moscou acompanhará com atenção as declarações e os documentos da Cúpula da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), realizada em Ancara, na Turquia.
“Este é certamente um evento que gera grande interesse, inclusive para nós. Acompanharemos, obviamente, todas as notícias e informações vindas de Ancara”, disse o porta-voz do Kremlin.
De acordo com ele, as declarações feitas antes da cúpula foram de “natureza confrontativa” com a Rússia. O porta-voz frisou que Moscou analisará “que documentos tudo isso resultará”.
“No contexto dos preparativos para esta cúpula, ouvimos muitas declarações a respeito do nosso país. Infelizmente, essas declarações não foram sobre engajamento e diálogo construtivos, mas sim declarações de natureza confrontadora”, pontuou.
Dmitry Peskov também observou que o fornecimento de novas armas a Kiev pela Otan não impedirá a continuação da operação militar russa na Ucrânia “até que seus objetivos sejam alcançados”. Ele também enfatizou que Moscou permanece comprometida em resolver o conflito por meios políticos e diplomáticos.
A Cúpula da Otan ocorre em Ancara, na Turquia, nos dias 7 e 8 de julho. Os líderes da aliança pretendem reafirmar seu “compromisso inabalável” com a defesa coletiva, conforme o Artigo 5º da Carta da Otan. Outro ponto em discussão será a alocação de um pacote de 70 bilhões de euros para a Ucrânia em 2026 e, no mínimo, um valor equivalente em 2027.
O presidente dos EUA, Donald Trump, deverá se reunir com seu homólogo ucraniano, Volodymyr Zelensky, nesta quarta-feira (8), no âmbito da cúpula. Os líderes europeus, por sua vez, planejam assumir novos compromissos de defesa para amenizar os acenos de distanciamento de Trump em relação à aliança militar.
As corporações de defesa ocidentais esperam que a receita dos países da Otan cresça para US$ 974 bilhões (cerca de R$ 5 trilhões) até 2029, em meio à militarização da Europa e às vendas de armas para a Ucrânia.
