Nova fase de operação da PF prende ex-secretário da Polícia Civil e ex-prefeito de Belford Roxo

Por Redação07/07/2026 às 12:560 visualizações
Marcus Amim (esq.) é delegado e ex-secretário de Polícia Civil no governo Castor; Márcio Canella é pré-candidato ao Senado pelo União Brasil e já declarou apoio a Flávio Bolsonaro
Marcus Amim (esq.) é delegado e ex-secretário de Polícia Civil no governo Castor; Márcio Canella é pré-candidato ao Senado pelo União Brasil e já declarou apoio a Flávio Bolsonaro
Brasil de Fato

A Polícia Federal iniciou a 6ª fase da Operação Unha e Carne na manhã desta terça-feira (7), após um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificar uma movimentação de R$ 7,6 bilhões, nos últimos seis anos, relacionada à lavagem de dinheiro por meio de uma rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Segundo a investigação, estão envolvidos no esquema o ex-prefeito de Belford Roxo e pré-candidato ao Senado pelo União Brasil, Márcio Canella, e Marcus Amin, ex-secretário da Polícia Civil entre 2023 e 2024, durante a gestão de Cláudio Castro (PL). Já Canella é aliado da família Bolsonaro.

No total, os agentes da PF cumprem 19 mandados de busca e apreensão nos municípios de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Resende e na capital fluminense, além de medidas de sequestro de bens e valores e de suspensão das atividades econômicas de empresas ligadas ao grupo investigado.

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A ação desta terça-feira integra a Força-Tarefa Missão Redentor II, iniciativa coordenada pela Polícia Federal que visa desarticular organizações criminosas atuantes no estado do Rio de Janeiro, em conformidade com as diretrizes estabelecidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na ADPF 635.

Operação Unha e Carne

Esta é a segunda etapa da operação realizada pela PF em menos de uma semana. Na última quinta-feira (2), o empresário do setor de cigarros e pastor Marcio Poncio teve a prisão decretada, ao lado do ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, Rodrigo Bacellar, e do contraventor Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho. Poncio e Bacellar foram citados em anotações do principal produtor e distribuidor de cigarros ilegais e bicheiro como destinatários de pagamentos indevidos, o que levantou suspeitas de lavagem de dinheiro.

Bacellar é investigado desde a primeira fase da operação, em dezembro de 2025, por sua ligação com TH Joias, considerado articulador político do Comando Vermelho. Na fase seguinte, foi preso o desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto, acusado de atuar como informante de Bacellar, que voltou a ser preso na terceira fase da operação. A quarta fase resultou na prisão do deputado estadual Thiago Rangel por suspeita de fraudes em obras na área da educação. As operações vêm sendo autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito da ADPF das Favelas, que determina à corporação investigar “a atuação dos principais grupos criminosos violentos em atividade no estado e suas conexões com agentes públicos”.

Outro lado

Em nota à reportagem, a Polícia Civil informou que a corregedoria geral do órgão abriu uma investigação interna para apurar os fatos. E informou ainda que “acompanha o caso de perto e reafirma que não compactua com eventuais desvios de conduta”, além de reafirmar seu compromisso com a transparência e a correta prestação do serviço público à sociedade.

A reportagem também entrou em contato com a assessoria do pré-candidato Márcio Canella e aguarda retorno para atualizar a matéria.

Fonte
Brasil de Fato
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