Diploma póstumo de Stuart Angel, morto pela ditadura, será entregue pela UFRJ nesta terça (7)

Por Redação07/07/2026 às 15:590 visualizações
Stuart Angel foi morto em 1971, aos 25 anos
Stuart Angel foi morto em 1971, aos 25 anos
Brasil de Fato

Cinquenta e cinco anos após ter sua trajetória interrompida pela ditadura militar, Stuart Angel Jones receberá da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) o diploma póstumo de economista. A cerimônia será nesta terça-feira (7), às 16h30, no Salão Dourado da Universidade, no campus da Praia Vermelha.

Stuart Angel foi sequestrado, torturado e morto por agentes do regime militar em 1971, aos 25 anos. Ele cursava Economia, era militante do Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8) e desapareceu naquele ano. Seu desaparecimento foi amplamente denunciado por sua mãe, a estilista Zuzu Angel. Após cinco anos de buscas pelo corpo do filho, que nunca foi encontrado, ela também foi morta pela ditadura em um acidente de carro. Desde então, a preservação da memória da família e de sua luta contra o regime militar tem sido conduzida pela jornalista Hildegard Angel, irmã de Stuart.

A solicitação da diplomação póstuma de Stuart Angel foi feita conjuntamente por Hildegard Angel e por Lucas Duda, representante do Centro Acadêmico Stuart Angel (Casa), do Instituto de Economia (IE) da UFRJ. “Hoje temos a missão e a honra de transmitir para a minha geração, para os que estão entrando no IE, o legado desse jovem, que foi meu antecessor, estudou nas mesmas cadeiras e salas que eu, no Palácio Universitário”, disse Duda.

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Certidões de óbito retificadas

As retificações das certidões de óbito tanto da mãe quanto do filho foram feitas pelo Estado brasileiro em 2019. O novo documento registra que sua morte foi “violenta, causada pelo Estado, no contexto da perseguição sistemática a opositores da ditadura militar instaurada em 1964”.

Em entrevista à coluna de Mônica Bergamo, no jornal Folha de S.Paulo, Hildegard Angel afirmou que o processo avançou com a chegada da procuradora federal no Estado de São Paulo Eugênia Gonzaga. “É irônico que o processo tenha terminado nesse governo”, disse, em referência à Presidência de Jair Bolsonaro.

Eugênia Gonzaga presidiu a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos de 2014 até agosto de 2019 e foi exonerada do cargo após se manifestar publicamente em defesa da família e da memória do desaparecido político Fernando Santa Cruz, em razão dos ataques do então presidente da República, Jair Bolsonaro, ao presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Felipe Santa Cruz.

Fonte
Brasil de Fato
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