O ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, terá uma reunião bilateral com o subsecretário de Defesa dos Estados Unidos, Elbridge Colby, nesta quarta-feira (8), durante a Conferência de Ministros da Defesa das Américas (CMDA), realizada no Peru. O encontro ocorre em meio à preocupação do governo brasileiro com a decisão da gestão de Donald Trump de enquadrar facções criminosas brasileiras, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), como organizações terroristas.
A CMDA reúne, a cada dois anos, ministros e autoridades da área de defesa de países do continente americano para debater temas relacionados à segurança regional, cooperação militar, combate a ameaças transnacionais, assistência humanitária e outros desafios comuns ao hemisfério. O fórum, criado em 1995, é considerado um dos principais espaços multilaterais de diálogo sobre defesa nas Américas.
Segundo interlocutores do Palácio do Planalto, a reunião entre Múcio e Colby foi solicitada pelo governo brasileiro e terá como foco os desdobramentos da classificação pretendida pelos Estados Unidos. A avaliação no Executivo é que a equiparação de facções criminosas a organizações terroristas pode abrir margem para pressões políticas e diplomáticas e, em um cenário extremo, ser utilizada como justificativa para iniciativas unilaterais de Washington em temas considerados de segurança nacional.
Antes de embarcar para o Peru, Múcio se reunirá com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para alinhar a posição que será apresentada ao representante estadunidense. Integrantes do governo afirmam que Lula pretende reforçar a necessidade de respeito à soberania brasileira e deixar claro que o enfrentamento ao crime organizado é uma atribuição do Estado brasileiro, conduzida pelas instituições nacionais.
A orientação do presidente também é que o ministro destaque as ações implementadas pelo governo federal no combate às organizações criminosas e à criminalidade transnacional, ressaltando que o Brasil dispõe de mecanismos próprios de investigação, inteligência e repressão. Nos bastidores, auxiliares de Lula afirmam que o objetivo é evitar qualquer sinalização que possa legitimar uma ampliação da influência ou da atuação dos Estados Unidos sobre assuntos de segurança interna do país.
