Filme ‘Anatomia do Caos’, sobre CPI da Covid-19, encontra movimentos populares no Recife: ‘A gente precisa fazer esse filme circular’

Por Afonso Bezerra07/07/2026 às 19:200 visualizações
Grande parte do público que assistiu ao filme organizou ações de solidariedade no auge da pandemia
Grande parte do público que assistiu ao filme organizou ações de solidariedade no auge da pandemia
Brasil de Fato

O Armazém do Campo do Recife recebeu nesta segunda-feira (06) uma exibição gratuita do documentário “Anatomia do Caos”, da diretora baiana Dandara Ferreira. A sessão reuniu integrantes de diversos movimentos populares, a exemplo do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Movimento de Trabalhadores Sem Teto (MTST) e o Movimento Brasil Popular (MBP).

“Anatomia do Caos” entrou em cartaz nos cinemas no dia 2 de julho. O documentário revisita o trabalho da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que, no Senado Federal, investigou a gestão da pandemia ao longo do governo Bolsonaro. A obra também discute temas como memória, impunidade e justiça, a partir de entrevistas com parlamentares e imagens inéditas dos trabalhos da comissão.

Grande parte do público que assistiu ao filme no Armazém do Campo organizou ações de solidariedade no auge da pandemia, a exemplo dos agentes populares que atuaram na Campanha Mãos Solidárias, do MST.

Para Dandara Ferreira, a proposta sempre foi levar o filme para além das salas de cinema e promover o diálogo com a população.

“Isso era o meu maior desejo sempre. Eu sou do cinema, quero levar as pessoas para as salas de cinema por ser um espaço coletivo. Mas esse filme é um filme de rua. Nem todo mundo tem acesso a cinema. Então, a gente precisa falar para outras vozes”, pontuou a diretora, destacando que a meta do lançamento é alcançar as pessoas mais afetadas pelo negacionismo durante a pandemia.

“Aqui estão os trabalhadores mais atingidos pela pandemia, pessoas que não tinham como ficar em casa, que, querendo ou não, tinham que trabalhar, e a gente precisa fazer esse filme circular para que nada daquilo que vivemos — o negacionismo, o deboche com quem estava sem ar — volte mais”, segue.

Recepção do público de ‘Anatomia do Caos’

Entre os participantes da sessão, o estudante Lucas Alves destacou a importância do documentário para preservar a memória do período. “Após ter essa experiência aqui na rua, com pessoas com quem a gente compartilha os mesmos ideais, acho que foi muito importante porque mostra que nós não estamos sozinhos”, refletiu.

A médica Carmelita Maia afirmou que o filme ajuda a compreender a dimensão das perdas vividas pelo país. “Foi uma oportunidade de rememorizar tantos acontecimentos da pandemia. Sei que foi um momento triste, que não queremos nem lembrar, mas é importante reviver essa memória”, pontuou.

A sessão foi seguida de debate com a deputada estadual Rosa Amorim (PT-PE) e a vereadora do Recife Jô Cavalcanti (PSOL-PE).

Para Amorim, o documentário cumpre um papel fundamental de memória e de busca por justiça. “É um filme que mostra a importância de resgatar a memória para que a gente não esqueça, principalmente, que a gente poderia ter salvado muitas vidas, se não fosse a negligência e a falta de ação política intencional do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.”

Já a vereadora ressaltou a importância de discutir esse passado em espaços públicos, ao lado da população. “Trazer esse sobre o tema que afetou milhares de pessoas, principalmente na pandemia, é muito importante, principalmente nesse contexto de desinformação pelo qual passamos.”

Fonte
Brasil de Fato
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