Flavio acusa Lula por tarifaço; Planalto acredita que os próprios Bolsonaros atuam para atrapalhar negociação com os EUA

Por Isegun Oliveira07/07/2026 às 21:010 visualizações
O senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro.
O senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro.
Brasil de Fato

Após participar de uma audiência promovida pelo Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou nesta terça-feira (7) que fez a “defesa do Brasil contra as tarifas e contra o Lula” e acusou o governo federal de não atuar para impedir a adoção de medidas comerciais pelos Estados Unidos.

A declaração, no entanto, contrasta com a atuação do Palácio do Planalto e do Itamaraty, que têm mantido contato com a gestão Trump e criticado publicamente a imposição de tarifas. Integrantes do Executivo ainda atribuem à atuação da própria família Bolsonaro parte da escalada da crise diplomática e comercial entre os dois países.

Em vídeo divulgado após a audiência, Flávio afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva seria o único interessado na imposição das tarifas ao Brasil, “achando que isso pode ter algum benefício eleitoral para ele”. A fala diverge da postura pública do próprio senador, pré-candidato à presidência do bolsonarismo, que, há alguns dias, havia pedido que as tarifas fossem adiadas para após as eleições.

O senador também criticou a ausência de representantes do governo brasileiro na audiência e declarou que realizou uma defesa “técnica, mas também política” dos interesses nacionais.

Nos bastidores do governo, porém, a leitura é diametralmente oposta. Segundo interlocutores do presidente ouvidos pelo Brasil de Fato, a estratégia da família Bolsonaro acaba fortalecendo entre membros da gestão Trump a narrativa de que o Brasil representaria um risco à segurança e aos interesses estratégicos dos Estados Unidos, criando um ambiente favorável à adoção de medidas comerciais duras.

Assim, a avaliação do Executivo é de que a crise comercial foi agravada pela atuação internacional da extrema direita, especialmente pelas articulações realizadas nos Estados Unidos pela família e por aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Como o Brasil de Fato mostrou em reportagens anteriores, com base em relatos de auxiliares do presidente, a avaliação do Planalto é que o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro e outros integrantes da família Bolsonaro atuaram para internacionalizar a disputa política brasileira ao buscar apoio de aliados do presidente estadunidense para pressionar o governo Lula. Entre as iniciativas buscadas pela extrema direita e citadas por integrantes do Executivo estão, para além das tarifas, os pedidos para que as facções criminosas PCC e Comando Vermelho fossem classificadas como organizações terroristas pelos Estados Unidos.

Governo diz que defesa cabe aos canais oficiais

Auxiliares de Lula também rejeitam a crítica sobre a ausência do governo na audiência do USTR. Segundo integrantes da equipe presidencial, as tratativas comerciais entre Brasil e Estados Unidos são conduzidas pelos canais diplomáticos e institucionais, principalmente pelo Itamaraty e pelos ministérios responsáveis pela política econômica e pelo comércio exterior, e não por parlamentares de oposição em agendas políticas no exterior.

No governo, a avaliação é que a estratégia de Flávio Bolsonaro busca desvincular sua família da crise comercial e, ao mesmo tempo, transferir ao Planalto a responsabilidade pelas possíveis sobretaxas.

Interlocutores de Lula, contudo, sustentam que as ações dos Bolsonaro nos Estados Unidos apenas fragilizam a posição brasileira nas negociações e alimentam um discurso utilizado por setores da política estadunidense para justificar pressões sobre o país.

Fonte
Brasil de Fato
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