De acordo com a administração federal, das 78 entidades e pessoas físicas que se inscreveram para falar sobre as tarifas de 25% sugeridas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), apenas Flávio, entre os brasileiros, não se posicionou contra a medida.
"Em vez de rebater as alegações infundadas do governo norte-americano para taxar o Brasil, o senador optou por legitimar os resultados de uma investigação injusta contra empresários e trabalhadores do nosso país. O senador não negou que a campanha promovida por sua família e seus aliados esteve na origem do tarifaço contra o Brasil. Tampouco aproveitou a audiência de hoje para reconhecer que errou ao contrariar os interesses do povo brasileiro."
Pela manhã, durante a audiência, Flávio afirmou que os resultados das tarifas de 2025 indicam que a medida não atingiu seus objetivos. Em vez disso, ajudaram a popularidade do governo Lula. O senador lembrou que, dentro de 90 dias, quando ocorre a eleição no Brasil, o cenário político do país pode ser completamente diferente. Segundo o pré-candidato, isso deve ser considerado na aplicação das tarifas.
"Impor agora uma tarifa que seria difícil de reverter — premiando aqueles que são responsáveis pelas ações em questão e punindo aqueles que suportaram suas consequências — seria o pior momento possível para agir."
O governo brasileiro também destacou que Flávio citou o caso do Banco Master durante sua explanação, mas não citou a ligação pessoal com Daniel Vorcaro, cujos áudios revelaram o pedido de milhões de reais para a produção do filme "Dark Horse", cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A nota emitida pela Secretaria de Comunicação Social também destaca que, enquanto Flávio participava da audiência pública, ministérios e o Palácio do Planalto realizavam uma reunião de alto nível com os Estados Unidos para tentar reverter as novas taxas.
"Divergir do governo é legítimo. Convocar uma potência estrangeira a pressionar o próprio país é traição à Pátria. Há uma diferença essencial entre fazer oposição ao governo e fazer oposição ao país e ao povo brasileiro."
Em 2 de junho, o USTR concluiu sua investigação comercial contra o Brasil e propôs uma tarifa de 25% a produtos do país com base na Seção 301 da Lei de Comércio.
O prazo dado para a negociação entre os governos termina na próxima semana, em 15 de julho, dia em que as taxas podem entrar em vigor. Há, ainda, isenções para itens como carnes específicas, café, aeronaves, químicos e fertilizantes.
Segundo o relatório norte-americano, o Brasil possui seis áreas problemáticas:
Ordens judiciais sigilosas e favorecimento em pagamentos digitais;
Tarifas preferenciais ao México e à Índia;
Falhas no combate ao desmatamento;
Ruptura no acordo do etanol;
Lentidão do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) e pirataria;
Retrocessos no combate à corrupção.


