UFSM desenvolve projetos de inteligência artificial para apoiar plataforma da indústria do pescado

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Por UFSM07/07/2026 às 19:340 visualizações
Universidade Federal de Santa Maria — Brasil

A UFSM desenvolve dois projetos de pesquisa voltados ao uso de modelos de linguagem de grande escala na Plataforma Nacional da Indústria do Pescado (Pnip). As iniciativas, coordenadas pelo professor Alencar Machado, estudam formas de integrar modelos de inteligência artificial capazes de compreender perguntas e produzir respostas em linguagem natural à plataforma, além de aplicar essa tecnologia em chatbots para apoio a usuários e analistas do sistema.

A Pnip é uma solução digital desenvolvida em parceria entre a UFSM e o Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA). A plataforma atua na modernização de processos ligados à certificação sanitária e à origem legal do pescado exportado pelo Brasil, incluindo a emissão de documentos como o Certificado Oficial de Boas Práticas Higiênico-Sanitárias a Bordo, o Certificado de Acreditação de Origem Legal (Caol) e certificados de exportação para países específicos.

A incorporação de inteligência artificial à Pnip envolve duas etapas complementares. A primeira trata da conexão entre modelos de linguagem de grande escala, conhecidos como LLMs, e a estrutura tecnológica da plataforma. Esses modelos são capazes de interpretar comandos e produzir respostas em linguagem natural, mas precisam ser integrados de forma segura para preservar a estabilidade do sistema e permitir novas funcionalidades.

A segunda etapa se concentra na aplicação dessa tecnologia na interação com os usuários, por meio de chatbots. A proposta é utilizar ferramentas capazes de responder em linguagem natural em um ambiente com usuários reais, regras de acesso e diferentes níveis de informação. Embora os chatbots já existam há anos em formatos baseados em perguntas e respostas pré-definidas, os modelos de linguagem permitem uma interação menos limitada, mas também exigem cuidados sobre segurança, contexto e precisão.

“O chatbot tem um contexto. Ele está no contexto daquele sistema”, afirma Machado. Na Pnip, essa definição é necessária porque a plataforma reúne diferentes tipos de usuários, como cidadãos, empresas e analistas do Ministério da Pesca e Aquicultura. Nesse ambiente, a inteligência artificial precisa reconhecer o perfil de acesso e responder de acordo com as regras do sistema. “A gente está com um modelo que está rodando dentro de um sistema legado, de um ambiente corporativo. Ele também não pode falar tudo”, destaca o coordenador.

O diferencial das pesquisas está na aplicação dos modelos de linguagem em um ambiente real, com usuários reais e demandas concretas do setor produtivo e da administração pública. Segundo Machado, uma das metas é fazer com que o sistema reconheça os limites da própria atuação: “Não é só responder a pergunta da forma certa, é responder o que pode ser respondido, no teor em que pode ser respondido, de uma forma correta”.

A parceria com a Lupa Data Serviços em Tecnologia da Informação Ltda., empresa de tecnologia com sede em Brasília, viabiliza o desenvolvimento das pesquisas em cooperação com o setor produtivo. Segundo Machado, a empresa contribui com recursos e suporte em questões técnicas, enquanto a equipe da UFSM é responsável por estudar, desenvolver e implantar as soluções previstas no plano de trabalho.

Os projetos também contribuem para a formação de estudantes e pesquisadores envolvidos nas equipes. Na avaliação do coordenador, a aproximação com demandas reais permite que os participantes tenham contato com etapas de desenvolvimento, implantação e validação de sistemas em contexto de uso.

Com o andamento das pesquisas, a próxima etapa é liberar os primeiros protótipos de uso e testar as soluções na plataforma. Ao final dos projetos, a expectativa é que os resultados apoiem a evolução da Pnip e contribuam para processos ligados à certificação e à exportação do pescado brasileiro. A equipe também busca consolidar métodos que possam orientar iniciativas semelhantes de integração entre sistemas já existentes e modelos de inteligência artificial.

Texto: Assessoria de comunicação da Pró-Reitoria de Inovação e Empreendedorismo

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