Cinema São Luiz retoma exibições durante a semana e inaugura espaço dedicado à memória do audiovisual pernambucano

Por Fátima Pereira08/07/2026 às 19:410 visualizações
Cinema funcionava apenas aos fins de semana por conta de obras
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Brasil de Fato — Brasil

O Cinema São Luiz inicia, nesta quarta-feira (8), sua nova fase de funcionamento aberto ao público, com programação regular de quarta-feira a domingo, a partir das 14 horas, no equipamento localizado no Centro do Recife. A agenda de reabertura reúne filmes brasileiros e internacionais, sessões gratuitas, debates e produções inéditas, além da possibilidade de visitação ao Centro de Referência do Audiovisual Pernambucano (Cena), novo espaço instalado no segundo andar do cinema, com entrada gratuita. As sessões pagas mantêm os valores populares de R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia-entrada).

A retomada busca reforçar o papel histórico do São Luiz como espaço de difusão cultural e formação de público, ampliando o acesso a diferentes linguagens cinematográficas e aproximando a população da memória e da produção audiovisual de Pernambuco. A primeira semana de programação começa com a exibição do documentário “Buenos Aires”, da cineasta pernambucana Tuca Siqueira, nesta quarta-feira (8), às 18 horas. O filme acompanha uma professora de espanhol que apresenta personagens e paisagens de uma cidade da Zona da Mata pernambucana marcada por contrastes sociais e influências culturais diversas.

Na quinta-feira (9), também às 18h, entra em cartaz o romance brasileiro “Quinze Dias”, dirigido por Daniel Lieff, que aborda temas como descoberta da sexualidade, afetos homoafetivos e mudanças nas expectativas pessoais. Já na sexta-feira (10), o público poderá conferir o drama nigeriano “A Sombra do Meu Pai”, do cineasta britânico-nigeriano Akinola Davies Jr., uma narrativa semiautobiográfica ambientada em Lagos durante a crise eleitoral de 1993.

O fim de semana amplia a variedade de atrações. No sábado (11), serão realizadas três sessões: às 14h, o longa “Vicente na Cidade Fantasma”, de Flávio Carnielli; às 16h, a mostra “Panoramas do Horror no Nordeste”, com exibição de três filmes seguida de debate; e às 18h, o suspense brasileiro “Papagaios”, de Douglas Soares.

No domingo (12), a programação começa às 14h com uma sessão especial do clássico “A Idade da Terra”, de Glauber Rocha, acompanhada de apresentação. Às 17h, serão exibidos o curta “Texas Hotel” e o longa “A Febre do Rato”, ambos de Claudio Assis, também com apresentação. Encerrando a semana, “Quinze Dias” retorna à tela às 19h30, em sessão com cobrança de ingresso.

Além das sessões de cinema, o público poderá conhecer o Centro de Referência do Audiovisual Pernambucano (Cena), equipamento gerido pelo Governo de Pernambuco, por meio da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe). Com cerca de 120 metros quadrados, o espaço reúne parte do acervo do Museu da Imagem e Som de Pernambuco (Mispe), incluindo fotografias, filmes, discos, partituras, equipamentos históricos, cordéis e reportagens televisivas.

A exposição permanente apresenta uma linha do tempo sobre a história do cinema pernambucano, passando por momentos como o Ciclo do Recife, o Ciclo do Super-8 e a Retomada, além de reunir registros da TV Universitária, partituras do maestro Nelson Ferreira e materiais raros do acervo audiovisual do Estado.

O Cena também disponibiliza estações de pesquisa para pesquisadores e profissionais do audiovisual interessados em consultar materiais já digitalizados pelo Mispe. O acesso ao acervo deve ser solicitado previamente por meio de agendamento pelo e-mail [email protected]. Entre os conteúdos disponíveis estão filmes, cartazes, entrevistas, cordéis e depoimentos de nomes importantes da cultura brasileira, como João Cabral de Melo Neto, Cícero Dias, Ary Severo e Badia.

Outra novidade do equipamento é a Sala Geraldo Pinho, espaço imersivo dedicado à história dos cinemas de rua de Pernambuco. Por meio de vídeos-instalação, o ambiente conduz os visitantes por diferentes períodos dessas salas de exibição, desde o auge desses espaços até o processo de desaparecimento de muitos deles, destacando também os cinemas que permanecem ativos, como o próprio Cinema São Luiz. A sala homenageia Geraldo Pinho, histórico programador do São Luiz, falecido em 2021, responsável por uma relação de décadas com o equipamento.

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Brasil de Fato — Brasil
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