Segundo o Ministério da Defesa, diversos temas foram abordados no encontro, entre eles a cooperação no combate ao narcotráfico. De acordo com a pasta, os Estados Unidos destacaram que buscam países nas Américas para atuar no tema, sendo o Brasil "um grande parceiro em potencial".
"O ministro José Mucio demonstrou interesse na parceria. Explicou que o combate ao narcotráfico no Brasil é prerrogativa do Ministério da Justiça e Segurança Pública e citou algumas iniciativas das Forças Armadas brasileiras nas fronteiras. A reunião ocorreu em clima de cordialidade e com convergência de opiniões."
Em 28 de maio, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que o Departamento de Estado havia designado Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como grupos "terroristas globais especialmente designados".
Pelas redes sociais, o secretário afirmou que as organizações são as mais violentas do Brasil e que sua influência chega até os EUA.
Nesta semana, o Itamaraty informou à Câmara dos Deputados que a nova classificação dos Estados Unidos em relação ao CV e ao PCC apresenta o risco de Washington utilizar força militar no Brasil.
"A designação pode servir para que autoridades estadunidenses apliquem medidas administrativas e judiciais de caráter unilateral e extraterritorial contra pessoas, empresas ou organizações brasileiras. [...] Há a possibilidade do uso da força militar dos Estados Unidos em território brasileiro."
A Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional (CREDN) da Câmara dos Deputados aprovou, também nesta quarta-feira (8), a convocação do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, para prestar esclarecimentos sobre estas declarações.
Os Estados Unidos, por outro lado, classificaram como "absurda" a avaliação do Itamaraty. Segundo um porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Washington age com base em suas prerrogativas soberanas para enfrentar "narcoterroristas" e proteger a população norte‑americana, afirmando que as facções brasileiras já operam em território dos EUA.


