A Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional (CREDN) da Câmara dos Deputados aprovou, nesta quarta-feira (8), a convocação do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, para prestar esclarecimentos sobre declarações em que apontou a possibilidade de ações militares dos Estados Unidos em território brasileiro. Diferentemente de um convite, a convocação torna obrigatória a presença do chanceler na Câmara.
A decisão ocorre um dia após a Comissão de Relações Exteriores do Senado aprovar um requerimento semelhante, mas em formato de convite, por iniciativa do senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS).
No documento enviado à Casa, Vieira afirmou que a decisão dos Estados Unidos de classificar facções brasileiras, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), como organizações terroristas poderia abrir margem para ações militares norte-americanas em território brasileiro.
Além desse alerta, o Itamaraty sustentou que a classificação das facções não traria benefícios concretos para a cooperação entre Brasil e Estados Unidos no combate ao crime organizado. Segundo o parecer, a medida poderia ter consequências jurídicas e políticas sobre cidadãos brasileiros e afetar a relação bilateral.
O requerimento de convocação foi apresentado pelo deputado Evair Vieira de Melo (Republicanos-ES), que classificou a resposta da pasta como "precária e frágil". Durante reunião da comissão, o deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) tentou converter a convocação em convite, o que daria maior flexibilidade para o ministro definir a data de seu comparecimento. A proposta oferecia os dias 10, 11 e 14 de agosto, mas não houve consenso entre os parlamentares.
No Senado, Hamilton Mourão justificou o convite afirmando que deseja entender a base das declarações do chanceler. "Eu gostaria de ouvir de onde ele tirou dados para uma afirmação dessa gravidade", afirmou. O senador também mencionou operações recentes dos Estados Unidos em países como Venezuela e Irã para reforçar a necessidade de esclarecimentos.


