Buscar a paz em vez de acusar: Grossi conta à Sputnik sobre urânio no Irã, usina de Zaporozhie e ONU

08/07/2026 às 10:260 visualizações
Sputnik Brasil
Grossi apontou que as informações sobre as reservas de urânio do Irã nas instalações atingidas pelos Estados Unidos são baseadas no último trabalho de inspeção em tempo integral da AIEA, que durou até a guerra dos 12 dias, no verão passado.

Sobre a situação com o urânio iraniano após os ataques dos EUA

Em geral, há boas razões para acreditar que o material ainda está no local, mas é necessário retornar e inspecionar para ter certeza, pois o acesso ainda não foi obtido e depende, em grande parte, das negociações entre os EUA e o Irã sobre o memorando recentemente assinado, observou.

"Sabemos exatamente onde o material estava e quanto havia. Depois disso, nós, assim como todos os outros, observamos as instalações por meio de imagens de satélite e outros recursos semelhantes. Não registramos nenhum movimento significativo, exceto, é claro, o dano severo sofrido por essas instalações. Algumas delas tiveram o acesso bloqueado", ressaltou.

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Nesse contexto, Grossi destacou que o diálogo da AIEA com os dois lados continua: cauteloso e expectante com o Irã, e profissional com os EUA. A agência permanece à sombra das negociações, preparando-se para o envolvimento total após a conclusão do acordo.
Além disso, o interlocutor da Sputnik declarou que a AIEA está em contato com o Irã sobre a usina nuclear de Bushehr, projetada e desenvolvida pela corporação estatal russa Rosatom, e está realizando inspeções do local.
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Dificuldades da restauração da usina nuclear de Zaporozhie

Grossi destacou que a operação normal e o reparo da usina nuclear de Zaporozhie só serão possíveis quando houver um cessar-fogo, paz ou uma situação estável, e enquanto o conflito continuar não haverá normalidade.

"Antes de iniciar o reparo, é necessário realizar a desminagem. No primeiro dia do cessar-fogo, os sapadores foram atacados. Por esse motivo, a administração da usina nos [AIEA] pediu para vir e observar, a fim de garantir que a fase de desminagem ocorra sem perigo. Conseguimos", ressaltou.

Segundo ele, cada cessar-fogo é uma operação muito delicada, pois não estavam envolvidos só diplomatas, mas também militares e especialistas nucleares. Assim, há muitas pessoas de diferentes áreas à mesa, e elas precisam tentar conciliar todas essas abordagens.
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Apesar de todas as dificuldades, a AIEA acredita que a reparação da usina nuclear de Zaporozhie será concluída nas próximas semanas, caso não surjam novas barreiras, observou Grossi.

"É do interesse comum evitar uma catástrofe nuclear. Porque a radiação não reconhece nem a bandeira russa, nem a bandeira ucraniana, nem a linha de fronteira. Vai afetar toda a gente", acrescentou.

Grossi sobre sua candidatura a secretário-geral da ONU

Perguntado sobre o que mudaria se se tornasse secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Grossi afirmou ele aspira a buscar a paz, promover o desenvolvimento e proteger os direitos humanos em vez de fazer ameaças e acusações.
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"Acho que o que aprendi no conflito [ucraniano] ajudaria muito a ONU, e espero que as partes em conflito também o façam, embora não possa dizer que isso acontecerá. Conheço muito bem este lugar. Estive lá muitas vezes", enfatizou.

Conforme enfatizou Grossi, sua abordagem será baseada na Carta da ONU e no ativismo pessoal. Assim como um maestro pode tocar a mesma música de maneira diferente, um secretário-geral, mesmo com as mesmas regras, pode agir de maneira diferente, inspirando confiança e trabalhando com todos os setores da ONU.
Dessa forma, ele concluiu que uma presença mais ativa no terreno e um diálogo imparcial e prático, em vez de censuras, seriam mais eficazes, e mostrou isso com seu próprio exemplo de viagens e negociações diretas durante a crise ucraniana.
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