‘Vai para p* que pariu’: governador de SC, Jorginho Mello (PL), xinga liderança indígena Xokleng

Por Lucas Salum09/07/2026 às 16:120 visualizações
Jorginho Mello durante visita à barragem em terra indígena em SC
Jorginho Mello durante visita à barragem em terra indígena em SC
Brasil de Fato — Brasil

Dentro do território Xokleng, na cidade de José Boiteux (SC), o governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), xingou com palavrões de baixo calão uma liderança indígena que cobrava apoio do Estado.

O incidente aconteceu na quarta-feira (8), enquanto o governador concedia uma entrevista à imprensa local sobre obras que acontecem em uma barragem localizada na região. Foi quando ele interrompeu a própria fala e falou “vai para p* que pariu” para uma Xokleng que estava próxima, protestando contra as falas de Mello. 

Logo após o xingamento, o governador foi mais uma vez contestado e proferiu: “A senhora não quer ir à merda?”, disse à liderança.

Nas redes sociais, o governador disse que “foi cercado e desrespeitado por indígenas”. Afirmou também que o governo do estado está trabalhando para garantir moradia aos indígenas como contrapartida pelas obras na barragem.

Procurada pela reportagem, a assessoria do governo de SC afirmou que Jorginho Mello acompanhou de perto a reforma da Barragem de José Boiteux, aguardada há mais de 20 anos e considerada estratégica para a segurança de milhares de moradores do Vale do Itajaí.

Conforme a nota, durante a visita, um grupo de indígenas se aproximou do local em protesto, com cartazes e reivindicações diversas, incluindo pautas de responsabilidade federal e temas que não estão diretamente ligados ao governo do estado.

A nota ainda detalha as obras acordadas e o valor correspondente de cada uma delas, afirmando que muitas delas seriam de responsabilidade do governo federal, e não do estado, mas seriam realizadas mesmo assim. Em relação ao episódio em si, não foi feito nenhum comentário.

Barragem

A barragem foi construída em 1972, durante a ditadura militar, mas só foi concluída nos anos 1990. Ela deixou de ser utilizada em 2014 e, após nove anos, o governo estadual voltou com a proposta de reativá-la.

Desde que se iniciou esse processo, a medida vem sendo contestada pela comunidade local por conta da incerteza dos resultados da reativação de uma estrutura de mais de 50 anos, que estava há quase dez parada.

O povo Xokleng reivindica a demarcação de um território de aproximadamente 37 mil hectares e vive hoje em uma região de 14 mil. A luta pelo território existe desde o início do século 20, quando o povo vivia um conflito por conta da recente colonização alemã e italiana na região.

Relatos históricos contam que o povo originário foi perseguido por “bugreiros”, pessoas contratadas pelos governos das províncias imperiais do Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina para atacar e dizimar aldeias.

Foi a disputa pela demarcação desta terra indígena que motivou o Supremo Tribunal Federal a pôr em pauta a chamada tese do marco temporal, que contesta a demarcação de terras de povos originários no Brasil.

Fonte
Brasil de Fato — Brasil
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