Secretaria de Estado da Saúde do Paraná divulga concurso com 92 mil inscritos, mas abre seleção para temporários antes de convocar aprovados

Por Redação09/07/2026 às 19:410 visualizações
Aprovados no concurso criaram comissão para cobrar nomeações. Reunião com o Palácio do Iguaçu está prevista para a próxima segunda-feira (13).
Aprovados no concurso criaram comissão para cobrar nomeações. Reunião com o Palácio do Iguaçu está prevista para a próxima segunda-feira (13).
Brasil de Fato

O resultado do concurso da Secretaria de Estado da Saúde do Paraná (Sesa), divulgado em 22 de junho, com mais de 92 mil participantes, deveria recompor o quadro de servidores. Mas quatro dias antes do resultado, em 18 de junho, o governo estadual já havia publicado o Edital nº 001/2026, abrindo 361 vagas temporárias para as mesmas funções do concurso. 

O edital justifica a contratação emergencial pela necessidade de recompor vagas abertas em razão de aposentadorias e falecimentos, o que, na avaliação do Sindicato dos Servidores da Saúde do Paraná (SindSaúde-PR), evidencia uma carência permanente, não excepcional. “Se existe a necessidade de recomposição do quadro de servidores e há um concurso vigente com profissionais aptos a assumir as funções, não há qualquer justificativa plausível para a contratação de trabalhadores temporários”, afirma a nota do sindicato. 

Dados do SindSaúde-PR apontam que, das 11.319 vagas existentes no Quadro Próprio dos Servidores da Saúde (QPSS), apenas 6.530 estão preenchidas. A entidade denuncia a defasagem histórica e afirma que parte das vagas é suprida por vínculos precários, enquanto outras permanecem abertas, sobrecarregando servidores. O sindicato informou que adotará “medidas jurídicas cabíveis” contra a contratação de temporários. 

Na Assembleia Legislativa, o deputado Arilson Chiorato (PT), líder da oposição, defendeu a convocação imediata dos aprovados e pediu a suspensão do Processo Seletivo Simplificado (PSS). “O Governo Ratinho Jr. diz que quer fortalecer a Saúde, mas deixa concursados esperando e prefere contratar temporários. Essa escolha desrespeita quem estudou, enfraquece o SUS e prejudica quem mais precisa de atendimento”, afirmou em discurso na tribuna. 

O parlamentar protocolou, em 1º de julho, um requerimento solicitando esclarecimentos à Sesa sobre a ausência de nomeações e a abertura do PSS. Ele cobra informações sobre o número de cargos vagos, os estudos que embasaram a decisão e o cronograma de convocação dos concursados. Segundo o deputado, o próprio edital do processo seletivo informa que os temporários ocuparão vagas permanentes, o que reforça o caráter contínuo da demanda. 

Com base no Relatório de Gestão Fiscal do primeiro quadrimestre de 2026, Arilson afirmou que o Paraná tem margem superior a R$ 2 bilhões para ampliar despesas com pessoal dentro dos limites da Lei de Responsabilidade Fiscal. “O problema não é financeiro. É uma decisão política”, declarou. “Nomear os aprovados regulariza uma necessidade que já existe e fortalece o serviço público com servidores efetivos, preparados e comprometidos com o SUS.” 

A tentativa de preencher o quadro com temporários, na avaliação do sindicato, afronta os incisos 2 e 4 do artigo 37 da Constituição Federal, que tratam da obrigatoriedade de concurso público e da estabilidade dos servidores, um dos pilares do SUS que garantem continuidade e qualidade no atendimento. 

Diante da repercussão, o líder do governo na Alep, deputado Hussein Bakri (PSD), informou, em sessão plenária, que articulará uma reunião na Casa Civil na próxima segunda-feira (13) para discutir a situação dos aprovados. O SindSaúde-PR e a Comissão dos Aprovados apontam déficit de 4.789 servidores na Secretaria, com reflexos em hospitais, regionais de saúde, laboratórios e na vigilância sanitária. 

Procurada pelo Brasil de Fato PR, a Secretaria de Saúde ainda não respondeu. O espaço segue aberto.

Fonte
Brasil de Fato
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