Oposição vê desistência de Ibaneis ao Senado como reflexo de desgaste político e reforça cobrança por investigações sobre o BRB

Por Ana Gonçalves09/07/2026 às 19:340 visualizações
O ex-governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha
O ex-governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha
Brasil de Fato

A decisão do ex-governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha (MDB) de desistir da disputa por uma vaga no Senado provocou reações imediatas entre parlamentares e lideranças da oposição. Embora ele tenha afirmado que pretende se afastar da vida pública para “descansar” e dedicar mais tempo à família, adversários políticos relacionaram a decisão ao desgaste enfrentado nos últimos meses em meio às investigações sobre as operações entre o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master.

O caso ganhou repercussão após a divulgação de operações financeiras realizadas entre o BRB e o Banco Master durante a gestão de Ibaneis. A oposição sustenta que as transações precisam ser investigadas por possíveis impactos sobre as contas públicas e a gestão do banco estatal. O ex-governador, por sua vez, nega irregularidades e afirma que sua decisão de deixar a disputa eleitoral tem motivação exclusivamente pessoal.

“O DF merece respostas”

O deputado distrital Chico Vigilante (PT) afirmou que a desistência da candidatura não afasta a necessidade de esclarecimentos sobre a condução do BRB durante a gestão de Ibaneis.

“O DF merece descanso, mas também merece respostas. Quem comandou decisões que colocou o BRB no centro de um dos maiores escândalos financeiros do país e deixou um rombo bilionário nas contas públicas precisa prestar contas à população. O povo do DF exige transparência.”

Na mesma linha, o deputado distrital Max Maciel (Psol) avaliou que a decisão reflete o isolamento político do ex-governador.

“Isolado politicamente, sua chamada base ‘não bota mais a mão no fogo’. Não teria um palanque para chamar de seu e com uma possível situação complicada no caso BRB”, afirma.

Para o deputado federal e ex-governador Rodrigo Rollemberg (PSB), o anúncio não representa um afastamento espontâneo da política.

“Ibaneis diz que quer descansar. Saiu do governo deixando o BRB com um rombo de bilhões, as contas do DF em contingenciamento severo e a saúde sem insumo básico. Não é descanso. É fuga. Quem fez tudo isso não pode simplesmente sair de fininho. Tem que pagar pelo que fez com o DF”, argumentou.

Críticas miram legado da gestão

Para o deputado distrital Gabriel Magno (PT), a saída de Ibaneis da disputa não apaga os problemas acumulados durante sua administração.

“Ibaneis acabou com a cidade e agora diz que quer descansar, ‘cuidar da própria vida’. Enquanto isso, a população segue lidando com os problemas deixados por quase oito anos de governo”, relembrou.

Em publicação nas redes sociais, Magno acrescentou que “a cidade não esquece o abandono da saúde, os ataques à educação, o descaso com a cultura, os escândalos de corrupção e tantas outras escolhas que marcaram essa gestão desastrosa”, relembrando episódios que, segundo ele, simbolizam o legado do governo.

Também pelo PT, o professor, ex-deputado distrital e pré-candidato ao Governo do Distrito Federal, Leandro Grass, afirmou que o foco deve permanecer sobre as investigações.

“Mais importante do que a saída do Ibaneis da eleição é a investigação sobre sua participação e de Celina no escândalo BRB/Master”, afirma

Na avaliação do petista, a desistência da candidatura não altera a necessidade de responsabilização.

“No DF, o cidadão governa ao lado da sua vice, deixam um governo quebrado, o povo em sofrimento e um escândalo bilionário sem explicação. Nesse tempo todo dizendo que dorme tranquilo e agora quer descansar. Quem não vai descansar somos nós até eles serem responsabilizados”, argumentou.

Responsabilização dos envolvidos

O deputado distrital Fábio Felix (Psol) afirmou que Ibaneis não reunia condições políticas para disputar um cargo majoritário.

“Ele não tinha nenhuma condição moral e política de ser candidato a um cargo majoritário representando a população do DF.”

Em vídeo publicado nas redes sociais, o parlamentar afirmou que as operações entre o BRB e o Banco Master precisam ser investigadas e destacou que o Governo do Distrito Federal é o acionista majoritário do banco público.

“Há aí um indício muito forte de responsabilidade política que precisa inclusive virar uma apuração policial e judicial sobre a participação do governador Ibaneis Rocha”, disse. 

Em outra publicação, o deputado voltou a defender a responsabilização.

“A população agradece por Ibaneis estar fora da disputa pelo Senado. Agora o ex-governador precisa responder na Justiça pelo escândalo de corrupção BRB-Master, que provocou um rombo bilionário no Banco de Brasília e deixou o caixa do DF no vermelho. Quem causou esse prejuízo não pode sair impune”, expôs.

Pressão política segue em diferentes frentes

A repercussão da desistência ocorre enquanto partidos da oposição mantém uma série de iniciativas relacionadas ao caso BRB-Master.

Na Câmara Legislativa, a bancada do PT protocolou um pedido de instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as operações entre o BRB e o Banco Master. Os parlamentares também solicitaram à Procuradoria-Geral do Distrito Federal uma auditoria sobre operações envolvendo precatórios.

Na esfera federal, os deputados Érika Kokay (PT-DF) e Pedro Uczai (PT-SC) encaminharam à Procuradoria-Geral da República uma notícia de fato pedindo investigação sobre a suposta participação de Ibaneis nas operações entre o BRB e o Banco Master. Os parlamentares solicitaram ainda o bloqueio de bens do ex-governador e que a PGR requisitasse documentos à Polícia Federal, Banco Central, Coaf, Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e ao próprio BRB.

Entenda o caso BRB-Master

As operações entre o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master passaram a ser alvo de questionamentos de parlamentares da oposição após a instituição financeira pública anunciar negociações envolvendo ativos do banco privado durante a gestão de Ibaneis Rocha. Desde então, o caso motivou investigações, pedidos de informações e disputas judiciais.

A oposição questiona a condução das operações, a capitalização do BRB e os impactos financeiros para o banco público e para o Distrito Federal. Já os defensores das medidas afirmam que as operações seguiram critérios técnicos e negam qualquer irregularidade.

O episódio levou à deflagração da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, e motivou uma série de iniciativas políticas e jurídicas, como pedidos de investigação, requerimentos de CPI na Câmara Legislativa, ações judiciais contra a capitalização do BRB e representações encaminhadas a órgãos de controle.


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