A cesta básica em Belo Horizonte ficou mais cara pelo 12º mês consecutivo e consolidou a capital mineira entre as cidades com maior inflação dos alimentos no país. Em junho, o conjunto de produtos essenciais custou R$ 826,72, alta de 0,09% em relação a maio. No acumulado de 12 meses, porém, o aumento chegou a 12,52%, a terceira maior variação entre as 27 capitais pesquisadas, atrás apenas de Cuiabá (14,71%) e Aracaju (13,12%).
Os dados fazem parte da Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, divulgada na quarta-feira (8) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). O levantamento aponta que, apenas no primeiro semestre de 2026, a cesta acumulou alta de 14,30% na capital mineira.
O impacto no orçamento das famílias segue elevado. Em junho, um trabalhador remunerado com o salário mínimo precisou comprometer 55,14% da renda líquida para comprar os alimentos básicos, o equivalente a 112 horas e 12 minutos de trabalho. Há um ano, eram necessárias 106 horas e 29 minutos.
Embora o reajuste mensal tenha sido discreto, alguns alimentos registraram aumentos importantes em junho. O tomate liderou a alta na capital, com avanço de 4,02%, seguido pelo feijão carioca (2,10%), manteiga (2,02%), banana (1,89%) e carne bovina de primeira (0,50%). Em contrapartida, houve queda nos preços da batata (-7,74%), óleo de soja (-4,90%), açúcar cristal (-4,07%), café em pó (-3,88%) e arroz (-3,51%).
Apesar de algumas reduções recentes, o acumulado do ano revela uma pressão persistente sobre itens fundamentais da alimentação. O tomate já acumula alta de 107,30% em 2026, enquanto a batata subiu 79,76% e o feijão carioca, 54,78%. Em 12 meses, os maiores aumentos foram registrados justamente na batata (61,50%) e no feijão (55,46%), alimentos presentes diariamente na mesa da população.
Salário mínimo deveria ser de R$ 8.110,92
No cenário nacional, Belo Horizonte aparece entre as capitais com as cestas mais caras do país, ocupando a nona posição. São Paulo segue liderando o ranking, com custo de R$ 965,47, seguida por Cuiabá e Rio de Janeiro. Em junho, 17 capitais registraram aumento no valor da cesta básica, enquanto dez apresentaram queda.
O levantamento também reforça a distância entre o salário mínimo oficial e o necessário para garantir as despesas essenciais de uma família. Considerando a cesta mais cara do país e os gastos com moradia, saúde, educação, transporte, vestuário e lazer, o Dieese estima que o salário mínimo deveria ser de R$ 8.110,92 em junho, cerca de cinco vezes o piso nacional de R$ 1.621.