O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), tentou desqualificar as candidatas ao Senado de Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede) porque elas não são de São Paulo, exatamente a mesma situação dele. As duas candidatas figuram como favoritas nas pesquisas de intenção de voto.
Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, o cientista político Paulo Niccoli Ramirez, professor da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), destaca a gafe de Tarcísio e lembra que, pela lei eleitoral, nada existe de ilegal.
“É um argumento de desespero machista, querendo ou não, porque talvez, se fossem homens concorrendo e viessem de outros estados, ele sequer se manifestasse em relação a isso. Mas, quando há candidaturas fortes de mulheres, sempre aparece a ideia do patriarcado de tentar desmerecer essas candidaturas”, avalia.
Ramirez destaca a forma com que a extrema direita, de forma geral, trata as mulheres e lembra o episódio envolvendo a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que fez um vídeo em que diz ter sido oprimida pelo clã Bolsonaro.
“Isso demonstra como as mulheres são cerceadas de um direito tão essencial de atuar na política, fora o fato de que, nas últimas semanas, em várias redes sociais, a extrema direita também tem defendido o fato de as mulheres não poderem mais votar ou então ter o voto familiar. Ou seja, votar conforme o marido, o homem que chefia a casa. Então, tudo isso revela o retrocesso que o bolsonarismo traz”, afirma.
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