Marca dos ataques em escolas no Brasil e no mundo é a misoginia, diz professor da USP

Por Lucas Krupacz10/07/2026 às 10:480 visualizações
Escola cívico-militar no DF
Escola cívico-militar no DF
Brasil de Fato

Uma lista feita por estudantes do Colégio Cruzeiro, de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro (RJ), que definia colegas por categorias sexuais, virou alvo de investigação da Polícia Civil. Nas descrições, havia comentários do tipo “bêbado nem olharia”, “comeria no lucro” e outras menções de depreciação da mulher.

O professor da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo Daniel Cara afirma que o tema perpassa escolas públicas e privadas e que encontra raízes na formação da sociedade. “Tem sido mais recorrente nas escolas privadas, mas pode haver uma subnotificação desse tipo de problema nas escolas públicas, porque, de fato, se trata de uma característica nefasta da sociedade brasileira, uma tradição asquerosa da sociedade, que é uma postura patriarcal em relação às relações sociais”, destaca em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato.

Cara, que coordenou um relatório sobre os ataques em escolas no Ministério da Educação, aponta que esse tipo de comportamento introduz um fenômeno dentro da comunidade escolar que acaba resultando em ataques. “Os ataques são exatamente aquelas tristes notícias que nós recebemos, aqueles tristes fatos de um estudante ou ex-estudante que entra dentro da unidade escolar e acaba atirando ou esfaqueando pessoas da comunidade. A marca principal dos ataques em escolas no Brasil e no mundo é a misoginia”, destaca.

Nesse sentido, o professor reforça a necessidade de trabalhar a inclusão desse tema na educação e chamar as famílias à responsabilidade. “A nossa conclusão no relatório é que os pais precisam assumir a responsabilidade. Inclusive em relação aos ataques. É importante que todo mundo saiba e que a nossa comunidade aqui, quem nos acompanha, fique atenta a isso, de que os pais, em muitos casos, quando uma criança ou um adolescente é menor de 18 anos e pratica um ataque à escola, muitas vezes os pais são responsabilizados no sentido de que eles não agiram da maneira correta na educação dos filhos ou na supervisão do que ocorre”, destaca.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Fonte
Brasil de Fato
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